quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Cronologia do rei

Em Novembro de 2006, foi lançada a Biografia Gonzaguinha e Gonzagão, de autoria da Jornalista Regina Echeverria. Desde já, indicamos a todos essa grande obra. Em breve informaremos as novidades.
Abaixo, cronologia do Rei do Baião, resultado do um trabalho esplêndido do amigo Uélinton Mendes da Silva 
1709
Vindo de Portugal, Leonel Alencar chega na região do Exu. Confraternizando com a tribo de índios que vivia ali, os Açus, cuja corruptela do nome daria Axu e logo depois Exu, Leonel Alencar, acompanhado de 3 irmãos, fundou a fazenda Várzea Grande. Depois nasceram as fazendas, Caiçara, de Bodocó, de Salgueiro e da Gameleira. Nesta última, situada no pé da serra do Araripe foi fundado posteriormente o povoado de Exu. Hoje chamado de Exu Velho.
1779
O termo de Exu, situado junto a Serra do Araripe, foi confirmado como Freguesia em 14 de Outubro deste ano.
1846
A Freguesia do Exu foi elevada à Povoação em 30 de Maio deste ano, pela Lei 150.
1858
A Povoação do Exu foi confirmada como Vila em 02 de Junho deste ano, pela Lei 442.
1860
Chega na serra do Araripe, Da. Januária, vinda de Missão Velha no Ceará. Acompanhada de sua filha Efigênia, se empregou na fazenda Caiçara. José Moreira Franco de Alencar casou com Efigênia. Da união nasceram quatro filhas, uma delas Ana Batista, conhecida por Santana. Quando completou 15 anos, Santana viu chegar na Fazenda Caiçara, Januário e seu irmão mais velho, Pedro Anselmo, oriundos não se sabe se de Flores ou de Pajeú das Flores, em Pernambuco. Januário foi logo deitando os olhos em Santana.
1863
A sede da então Vila do Exu foi transferida para Granito, por força da Lei 548 de 09 de Abril deste ano. Exu possuía neste último ano um Juiz Municipal, um Tabelionato, três Distritos de Paz, um Subdelegado de Polícia, uma agência de Correios, 27 eleitores, estando subordinada a Comarca de Cabrobó.
1888
Bem no estilo feudal era senhor de braço e cutelo de Exu, Gualter Martiniano de Alencar Araripe, que em 15 de Novembro deste ano foi agraciado pelo Imperador D. Pedro II com o título de Barão de Exu. 
1909
Januário José dos santos, vindo dos Quidutes e dos Anselmos. Conhecido tocador de fole de 8 baixos, subiu a encosta da Serra do Araripe com destino à chapada. Mas ficou na Fazenda Caiçara, quase no sopé da Serra, na fazenda do Barão do Exú, bem onde começava o Rio Brígida que ia desembocar no São Francisco.
Ana Batista de Jesus, ou simplesmente Santana. Era uma cabocla bonita, e deixava muito olhar na esteira do seu caminho, sedentos daqueles olhos bonitos , daquele gingado de marrã bravia. Daí o cuidado de Efigênia, sua mãe, conhecida por por Figênia.
Espantava os mais afoitos, animava os de melhor qualidade. E Januário caíra nas suas graças. E na Igreja de Exú, em Setembro de 1909, o casamento foi feito, sem arranjo, sem arrumação e principalmente sem samba.
Claro: o único tocador de forró da região era o noivo...
E numa casucha construída com os amigos, Januário lá se foi morar com Santana, morena formosa e de olhos estranhamente verdes, que endoidavam os cabras. E Januário tinha pressa, não ia perder tempo depois dos sacramentos...

"  Fez cum ela o sanfoneiro
   Um casamento feliz
   E dos nove qui nascêro
   Um desses nove é Luiz..."
1912
No dia 13 de Dezembro, uma sexta-feira, nasce, na fazenda Caiçara, terras do barão de Exu, o segundo de nove filhos do casal Januário José dos Santos e Ana Batista de Jesus, que na pia batismal da matriz de Exu recebe o nome de Luiz (por ser o dia de Santa Luzia) Gonzaga (por sugestão do vigário) Nascimento (por ter nascido em dezembro, também mês de nascimento de Jesus Cristo.                             
1915
Nasce no dia 05 de Janeiro, Humberto Cavalcanti Teixeira 
1920
Luiz Gonzaga, com apenas 8 (oito) anos de idade substitui um sanfoneiro em festa tradicional na fazenda Caiçara, no Araripe, Exu, a pedido de amigos do pai; canta e toca a noite inteira e, pela primeira vez, recebe o que hoje se chamaria cachê; o dinheiro - 20$000 - "amolece" o espírito da mãe, que não o queria sanfoneiro. A partir daí, os convites para animar festas - ou sambas, como se dizia na época -, tornam-se freqüentes. Antes mesmo de completar 16 anos, "Luiz de Januário", "Lula"ou Luiz Gonzaga já é nome conhecido no Araripe e em toda a redondeza, como Canoa Brava, Viração, Bodocó e Rancharia.
1921
Em Carnaíba das Flores, município Pernambucano do sertão do Alto Pajeú, nasce em 27 de Fevereiro José de Souza Dantas Filho, que viria a ser um dos mais importantes parceiros na obra de Luiz Gonzaga.
1924
Houve uma grande cheia e o rio Brígida subiu de nível, inundando os arredores. A casa de Januário foi atingida, encheu de água, obrigando a família a se mudar. Foram morar no povoado Araripe, na Fazenda Várzea Grande.
A pedido do coronel Manoel Aires de Alencar, chefe político local, Luiz, já um caboclo taludo, vai com este a Ouricuri para tomar conta de cavalo, onde vê um fole Kock de oito baixos, marca Veado, pelo qual fica louco e passa a amolar o coronel por causa dele. No mês seguinte, repetindo a viagem, o político concorda em pagar a metade dos 12o mil réis do fole, desde que Luiz arque com o resto, o que fez sem muita dificuldade, pois a essa altura já estava  ganhando tanto ou mais que o pai, para tocar.
1926
Início real de sua vida artística, quando tocou seu primeiro "samba"ganhando dinheiro. Começou também a estudar no grupo de escoteiros de um sargento da polícia do Rio de Janeiro chamado Aprígio.  Seu amigo Gilberto Aires, filho do Cel. Aires, o convenceu a mudar-se para a cidade, deixando o Araripe. Hospedaram-se na casa de Da. Vitalina e o amigo Gilberto foi seu primeiro empresário.
1928
Apaixona-se pela primeira vez por uma donzela sacudida que apareceu pelas bandas do Araripe. Pensa em noivado mas seus planos vão por água à baixo quando sua mãe descobre a trama, pondo fim na história por não achar que a pretendida juntava condições para ser sua nora.
1929
Em uma festa de véspera de ano novo viu pela primeira vez Nazarena, da família Saraiva.
Apaixona-se, mas, sendo repelido pelo pai desta, o coronel Raimundo Delgado, o ameaça de morte. Avisados pelo próprio Delgado, Januário e Santana aplicam uma surra no rapazote que, revoltado, decide fugir de casa, indo a pé até o Crato onde vende a sua sanfoninha  por 80 mil réis.Segue para Fortaleza e  voluntariamente alista-se no exército depois de mentir a respeito da sua idade. Primeiro disse que tinha 18 anos mas, avisado que mesmo assim necessitaria da autorização dos pais, apresenta-se como se tivesse 21 anos.
1930
Estoura a revolução de 30   no Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Paraíba. Ingressa nas fileiras do exército ganhando um soldo de 21 mil réis. O então soldado 122, corneteiro, segue com o vigésimo segundo Batalhão de Caçadores para Souza, PB; ainda em missão, segue para o Pará, Ceará e Piauí, interior do Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Campo Grande. Ganha fama no exército e um apelido: "Bico de Aço", por ser exímio corneteiro. De passagem por Juiz de Fora, conhece Domingos Ambrósio, que lhe ensina mais alguns truques na sanfona.
1936
Nasce na cidade de Petrolina (PE), filho de Francisco Avelino dos Santos e Laudemira Sales dos Santos, o Padre João Câncio, que mais tarde viria a ser o idealizador da Missa do Vaqueiro e contaria até o fim de suas atividades eclesiástica, em 1981, com o apoio de Luiz Gonzaga.
1939
Deixa o exército ficando provisoriamente na sede do Batalhão de Guardas do Rio de Janeiro, mas, aventureiro, segue para São Paulo; desembarca na Estação da Luz e, nas imediações, compra a sua primeira sanfona branca  (todas as suas sanfonas seguintes seriam de cor branca) de 120 baixos. Nesse mesmo ano volta ao Rio de Janeiro, onde faz amizades e, aproveitando o aprimoramento que fizera nos tempos da caserna com o Dominguinhos Ambrósio, que lhe ensinara os segredos do acordeon, inicia a carreira artística, divertindo marinheiros e desocupados em geral no Mangue, lugar também freqüentado por malandros e prostitutas. Explode a segunda Guerra Mundial. O Brasil é literalmente invadido pela música estrangeira, principalmente a Norte Americana.Conhece o violonista Sepetiba. É o ano em que se apresenta pela primeira vez em um palco, no cabaré O Tabu na Rua Mem de Sá.
1940
Conhece o guitarrista português Xavier Pinheiro, Amirton Vallin, na boate Elite e outros artistas que, como ele, disputam à duras penas um lugar ao Sol. Toca todo tipo de música, de Blues a Fox Trotes; imita artistas famosos da época, como Manezinho Araújo, Augusto Calheiros e Antenógenes Silva. Começa a apresentar-se em programas de rádio, como calouro. Suas incursões no programa de calouros de Ary Barroso, interpretando tangos e valsas, lhe garantem, no máximo, uma nota 2,5 quando o total seria nota 5.
Numa das casas noturnas onde tocava no Mangue, é desafiado por um grupo de estudantes nordestinos - entre eles o futuro Ministro da Justiça, Armando Falcão - que exigem que toque algo "lá da terra", coisa que Gonzaga tinha abandonado. Depois de treinar em casa durante semanas apresenta-se diante dos mesmos Universitários tocando "Pé de Serra"e "Vira e Mexe". É aplaudido não só pêlos rapazes como por toda a casa. Volta ao programa de Ary Barroso, onde conquista a nota máxima.
1941
O Estado Novo comemora seu quarto aniversário. Vai ao ar a primeira radionovela brasileira: Em Busca da Felicidade. Num Bar da Lapa, Rio, conhece Januário França, que lhe transmite recado do humorista Genésio Arruda para acompanha-lo numa gravação da RCA Victor, por indicação de Almirante e Ari Barroso. Aceita e dá-se bem. Logo é contratado para gravar um disco solo, por indicação do Diretor Artístico Ernesto Matos. Grava, então, ao invés de um e Vários discos.
Nos anos seguintes grava cerca de 30 discos 78 rpm, muitos choros, valsas e mazurcas, todos em solo pois a Victor insiste em não lhe permitir cantar em seus discos, que até então eram só instrumentais. Inicia na Rádio Clube do Brasil para onde foi levado por Renato Mource, substituindo Antenógenes Silva no programa Alma do Sertão. A firma era na época a Victor.
Também neste ano conheceu César de Alencar na Rádio Clube do Brasil, quando o mesmo era o locutor do programa Alma do sertão sob o comando de Renato Mource. Foi quando apareceu Dino, violonista de sete cordas que tinha a mania de apelidar todo mundo. Ao ver a cara redonda de Luiz Gonzaga Dino imediatamente o chamou de Lua, apelido que Paulo Gracindo e César de Alencar se encarregaram de divulgar.
1942
Começa a fazer sucesso e as emissoras de rádio a se interessar, de fato, pelo novo cartaz.
No mesmo ano nasce em Garanhuns José Domingos de Morais que viria a ser o sanfoneiro Dominguinhos, de quem Luiz Gonzaga se tornou um segundo pai e que o tratava como "pai impostor". Luiz Gonzaga começa a fazer sucesso e as emissoras de rádio a se interessar, de fato, pelo novo cartaz. Enquanto isso, o Brasil declara guerra à Alemanha e seus aliados.
1943
Trazido pelas mãos do radialista Almirante - que também foi responsável pela descoberta de Gonzaga - o sanfoneiro catarinense Pedro Raimundo estréia na Rádio Nacional com suas roupas de gaúcho. Inspirado nêle, Gonzagão passa a se apresentar vestido de nordestino. Nessa época, irritado com a interpretação dada por Manezinho Araújo para a sua "Dezessete e Setecentos", parceria com Miguel Lima, o sanfoneiro passa a canta-la. Chovem cartas pedindo que ele continue cantando e a RCA acaba se convencendo a deixá-lo gravar com sua voz. O disco de estréia seria Dansa Mariquinha, outra parceria com Miguel Lima, e que seria gravado em 1945.
1944
É despedido da Rádio Tamoio e, imediatamente, contratado por Cr$ 1.600,00 pela Rádio Nacional, onde o então radialista Paulo Gracindo divulga seu apelido "Lua", por causa do seu rosto redondo e rosado. Ataulfo Alves e Mário Lago são os destaques do ano na área musical, com Atire a Primeira Pedra.
1945
Consegue  então o que desejava. Grava seu primeiro disco tocando e cantando, a mazurca Dansa Mariquinha, parceria com Miguel Lima, primeira gravação  com o dito e chama a atenção pelo timbre de voz e desenvoltura no cantar. Nesse mesmo ano, e ainda em parceria com Lima grava outros dois discos interpretando Penerô Xerém e Cortando Pano.
Querendo dar um rumo mais nordestino para suas composições, Gonzagão procura o maestro e compositor Lauro Maia, para que este coloque letras em suas melodias. Maia porém apresenta-lhe o cunhado, o advogado cearense Humberto Cavalcanti Teixeira, com quem Luiz Gonzaga viria a compor vários clássicos.
Os instrumentos usados originariamente ( viola, botijão, pandeiro e rabeca ) foram substituídos por acordeão, triângulo e zabumba.
No dia 22 de setembro, nasce de uma relação com a cantora Odaléia Guedes dos Santos o Seu filho Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior
1946
Inicia sua parceria com Humberto Teixeira, e grava No Meu Pé de Serra. O sucesso é imediato e enorme. Ao mesmo tempo, o seu nome começa a correr o mundo: Europa, EUA, Japão... Além de No Meu Pé de Serra compôs, entre outras, com Teixeira, Baião, Asa Branca, Juazeiro, Légua Tirana, Assum Preto, Paraíba, etc. Os Quatro Ases e Um Coringa estouram com Baião e Luiz está em todas cantando A Moda da Mula Preta, de Raul Torres e com a marchinha carnavalesca Quer Ir Mais Eu, parceria também com Miguel Lima. Entusiasmado com o sucesso Gonzaga resolve voltar à Exú e nasce, em parceria com Humberto, Respeita Januário. A parceria duraria até 1979, quando falece Humberto Teixeira.
1947
Em Março, grava Asa Branca. É sua primeira gravação com o selo RCA Victor. Essa música rapidamente se torna um de seus maiores sucessos, recebendo as mais diferentes interpretações e gravações em vários países como Israel, Itália, EUA. Em Hollywood é cantada no filme Romance Carioca (Nancy Goes To Rio) por Carmen Miranda. Nesse mesmo ano os destaques musicais são, além de Asa Branca, O Pirata da Perna de Pau e Eu Quero é Rosetar, de João de Barros e Haroldo Lobo e Milton de Oliveira, respectivamente, que por sinal não se tem informações de gravação destas duas músicas por Gonzaga.
Também no ano de 1947 aconteceu o primeiro encontro de Luiz Gonzaga com Zé Dantas, em Recife (PE).
1948
Casa-se com a professora pernambucana Helena Neves  Cavalcanti. Os dois se conheceram nos bastidores da Rádio Nacional, quando a moça foi procura-lo para saber se tinha recebido as cartas que lhe havia enviado. Luiz  alegou que não tinha tempo de responder correspondências. Helena perguntou porque ele não contratava uma secretária para tal serviço. "Pois está contratada ", foi a resposta. E no dia 16 de Junho do mesmo ano casaram-se. E adotaram uma menina que foi batizada com o nome Rosa do Nascimento, a Rosinha.
1949
Devido a popularidade alcançada, Humberto Teixeira decide candidatar-se à Deputado, diminuindo muito seu trabalho junto ao Rei. Luiz Gonzaga conhece então em Recife o médico pernambucano José de Souza Dantas. Mais tarde Gonzaga diria que este era mais adequado para parceiro que o advogado, pois embora fosse nordestino Humberto Teixeira não saía de Copacabana, não sabia nem mesmo chegar na casa de Gonzaga na zona Norte. O Zé Dantas não, era homem do campo. "Eu sentia até o cheiro de bode nele", dizia Gonzaga. No dia 27 de outubro grava o baião Vem Morena em parceria com Zé Dantas e o forró Forró de Mané Vito. Neste msmo ano faz sua primeira gravação de Baião, fruto de sua parceria com Humberto Teixeira. A parceria com Zé Dantas terminaria com a morte deste em 1962 no Rio.
1950
Ganha, depois de uma apresentação em São Paulo o título de Rei do Baião.Grava a toada Assum Preto e os Baiões Qui Nem Jiló e Paraíba. Está no auge da carreira. Paraíba é gravada pela cantora japonesa Keiko Ikuta, versão de Kikuo Furuno, em disco RCA J-55006-A. No lado B, foi gravada Baião de Dois.Emilinha Borba também grava Paraíba, e é o ano da inauguração da primeira emissora de televisão da América Latina, a PRF-3, Tv Tupy. Neste mesmo ano regrava o sucesso Vira e Mexe em 78 Rpm.
Nesta mesmo ano desponta como um dos maiores vendedores de disco que se tem notícia na história da MPB.
É o ano em que perde sua mãe, Santana.
1951
Um jornal carioca publica que "Luiz Gonzaga velho e superado, acaba de assinar contrato com uma firma para viajar pelo Brasil". Puro preconceito, pois Gonzaga reinou soberano de 45 a 55, 56. As 17 prensas da RCA Victor trabalhavam exclusivamente para ele.
Neste mesmo ano sofre um desastre de automóvel que comoveu o País, o que motivou a composição Baião da Penha e uma reportagem especial na revista O Cruzeiro.
Em março deste ano encerrou seu contrato com a Rádio Nacional e firmou um novo com a Rádio Mayrink Veiga, mesmo oficialmente vinculado à Rádio Cultura de São Paulo.
1952
Voltando do seu pé de serra Luiz Gonzaga passou por Caruaru onde resolveu fazer um show. Foi mal recebido pelo proprietário do Cinema Caruaru, o Sr. Santino Cursino, sob a alegação de que  "o meu cinema, o melhor da cidade não vai servir de palco prá tocador de harmônica ".
1953
Nasce, em parceria com Zé Dantas a pungente Vozes da Seca - este é o ano de uma grande seca no Nordeste. Compõe também, com Hervê Cordovil, A Vida do Viajante, que Gonzaguinha recriaria em 1979 para surpresa de Gonzaga, que nem se lembrava da letra. Esta gravação foi incluída no LP "Gonzaguinha da Vida", 064-4228410-B, Emi-Odeon. Foi neste ano que ao lado de Zé Dantas e Paulo Roberto, participou do programa da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, No Mundo do Baião, vivendo sua fase de ouro até 1954.
1954
Transferiu-se para São Paulo e suas apresentações ficaram cada vez mais restritas à cidades do interior e do ciclo Junino. Seus discos porém continuavam a ser reprensados.
Gonzagão convida Jackson do Pandeiro e sua mulher Almira, para o Rio de Janeiro. Fariam grande sucesso com seus cocos e são considerados o lado urbano da música nordestina, enquanto Gonzaga seria o agreste. É o ano em que Gonzaga conhece Dominguinhos, que tocava ao lado dos irmãos Morais, em um grupo intitulado Os Três Pingüins. Este fato deu-se em Olinda.
Já no Sertão Pernambucano, em Serrita, nas Caatingas do sítio Lages, era encontrado morto, no dia 08 do mês de Julho, o vaqueiro Raimundo Jacó, primo de Luiz Gonzaga, fato que depois viria a originar a Missa do Vaqueiro.
1955
Luiz Gonzaga grava seus primeiros discos compactos de 45 rpm.
Também neste mesmo ano gravou o seu primeiro LP de 10 polegadas, 33 rpm, pela RCA Victor. Uma Compilação dos disco de 78 RPM.
1956
A Lei 1544/56, de autoria do então Deputado Federal Humberto Cavalcanti Teixeira, que limita a execução de músicas estrangeiras no Brasil é aprovada.
Começo das tentativas de aproximação do vaqueiro Zé Marcolino - José Marcolino com o Rei do Baião, através de correspondências que, segundo o próprio nunca chegaram às suas mãos. O encontro pessoal se daria mais tarde no ano de 1960.
1957
Grava o primeiro disco com composição de Onildo Almeida. Em um lado A Feira de Caruaru e no outro Capital do Agreste de Onildo Almeida e Nelson Barbalho.
1958
Começa o apogeu da Bossa Nova com João Gilberto, Tom Jobin, Vinícius e outros. O movimento cresce com adesão de Carlos Lira, Roberto Menescal, Baden e outros mais. Luiz Gonzaga por sua vez gravou seu primeiro LP de 12 polegadas, 33 rpm. Pela RCA Victor. XAMEGO
1961
Luiz Gonzaga entra para a Maçonaria. Neste ano compõe com Lourival Silva e grava Alvorada de Paz, em homenagem ao então Presidente da República Jânio Quadros, que renunciaria sete mêses após assumir a Presidência.
Conheceu pessoalmente José Marcolino - o Zé Marcolino, de quem gravaria depois várias obras.
1962
Ano da morte do poeta, folclorista e parceiro Zé Dantas.
Neste mesmo ano lança os seus primeiros compactos simples e duplo, 33 rpm, pela RCA Victor.
1963
De sua parceria com Nelson Barbalho grava A Morte do Vaqueiro no mesmo ano conhece o poeta popular cearense Patativa do Assaré . O clima político é tenso, e os brasileiros decidem em plebiscito a volta do sistema presidencialista.
1964
Grava a composição A Triste Partida de Patativa do Assaré. O sucesso é total principalmente junto ao nordestino que vive no Sul. Grava também, no LP O Sanfoneiro do Povo de Deus a primeira composição de Gonzaguinha, "Lembrança de Primavera".
1965
Asa Branca é gravada por Geraldo Vandré em seu Lp "Hora de Lutar". Gilberto jovem, um compositor jovem da Bahia começa a citar Luiz Gonzaga em suas entrevistas, como uma de suas maiores influências. Mais adiante Luiz Gonzaga gravaria duas composições de Vandré (Para Não Dizer Que Não Falei das Flores e Fica Mal Com Deus), como retribuição.
1966
Sinval Sá lança o livro O Sanfoneiro do Riacho da Brígida - Vida e Andanças de Luiz Gonzaga - O Rei do Baião. O sanfoneiro é impedido de cantar no festival FIC 66, a música São os do Norte Que Vêm, de Capiba e Ariano Suassuna.
1968
Um pouco fora de destaque no cenário musical, Luiz Gonzaga viu seu nome novamente em ascensão depois que, nesta ano, Carlos Imperial espalhou no Rio de Janeiro que o conjunto Inglês The Beatles acabara de gravar a música Asa Branca. Não era verdade, mas foi o que bastou para que Gonzaga voltasse às manchetes. E por um longo tempo Gonzaga sempre falou em entrevistas, do interesse "dos cabeludos de Liverpool por essa música".
1970
Para os anos 70 estava reservada a explosão dos ritmos estrangeiros, particularmente o Rock'n'roll, oriundo dos anos 50, onde encontrava defensores como Cely e Tony Campelo, Carlos Gonzaga, etc. Era a presença em nossa música os Beatles, Ingleses. Dos Estados Unidos chegava a música de Elvis Presley. No Brasil era a vez de Roberto Carlos que já vinha com o seu programa Jovem Guarda. Carlos Imperial, Erasmo Carlos etc., davam força ao movimento.
1971
Lança o LP "O Canto Jovem de Luiz Gonzaga". O produtor Rildo Hora alega que "este disco não é para sucesso e sim uma homenagem para a juventude. Em Londres Caetano Veloso grava Asa Branca, assim como Sérgio Mendes e seu Brasil 77. É o ano do primeiro contato do então desconhecido Fagner com Luiz Gonzaga, no Rio. O sanfoneiro apresenta-se em Guarapari fazendo sucesso entre os hippies de então.
Foi também do ano de 1971 que, por iniciativa do Padre João Câncio, com o apoio do cantor Luiz Gonzaga - primo de Raimundo Jacó - e pelo poeta Pedro Bandeira, famoso repentista do Cariri, realizou-se a primeira Missa do vaqueiro, no sítio Lages, na cidade de Serrita, em pleno sertão Pernambucano, como homenagem a Raimundo Jacó, que teria sido morto morto por um companheiro, e principalmente em forma de tributo ao vaqueiro nordestino. Mas a principal preocupação do Pe. Joâo Câncio era trazer de volta para a igreja os vaqueiros. Com a celebração o Padre Vaqueiro conseguiu ver seu desejo realizado.
1972
Pelas mãos de Capinam apresenta o espetáculo "Luiz Gonzaga Volta Para Curtir" no Teatro Teresa Raquel, no Rio de Janeiro. Sob a direção de Jorge Salomão e Capinam, o delírio é total, e é a primeira vez que Gonzagão enfrenta uma platéia somente de jovens.
1973
Deixa a RCA Victor e passa para a Odeon, por um breve espaço de tempo, embalado pelo sucesso reconquistado.  Tenta lançar sua candidatura a deputado Federal pelo então MDB mas desiste logo da idéia, quando sentiu que os votos que obteria seria em troca de favores. Inezita Barroso grava Asa Branca como também o cantor grego Demis Roussos, sob nome de White Wings, com letra em inglês.
O então Governador de Pernambuco Eraldo Gueiros Leite, seriamente preocupado com o clima de discórdia e violência reinante em Exu, pediu para que Luiz Gonzaga tentasse apaziguar os conflitos entre famílias tradicionais daquela cidade.
Neste mesmo ano por iniciativa da Prefeitura do Município de Serrita, foi erigida a estátua de Raimundo Jacó, esculpida por Jota Mendes, artista de Petrolina.
Também neste ano grava seu primeiro LP pela Emi Odeon.
1974
É construído o Parque Nacional do Vaqueiro, e criada em 24 de Outubro desse mesmo ano a Associação dos Vaqueiros do Alto Sertão Pernambucano.
1976
O Projeto Minerva dedica um especial à obra de Luiz Gonzaga. Neste mesmo ano grava seu primeiro compacto simples de 33 rpm pelo selo Jangada, com a música  Samarica Parteira de Zé Dantas. A música ocupou as duas faces do disco.
1977
Estréia no  "Seis e Meia", no Teatro João Caetano ao lado de Carmélia Alves. O sucesso é total, inclusive com grande afluência de jovens ao Teatro.
1978
É lançado no mercado um disco como forma de menção especial a Luiz Gonzaga, - a Grande Música do Brasil, a Grande Música de Luiz Gonzaga, pela Copacabana, produzido por Marcus Pereira com arranjos e direção de orquestra a cargo do maestro Guerra Peixe. É uma versão sinfônica de clássicos da obra de Luiz Gonzaga.
Foi também o ano da morte de Januário, no dia 11 de Junho.
1979
Morre o compositor, advogado e instrumentista Humberto Teixeira.  E Luiz Gonzaga grava o Disco Eu e Meu Pai em homenagem a Januário.
1980
Em Fortaleza, depois de ser literalmente atropelado pêlos seus fãs e por fiéis da igreja, Luiz Gonzaga canta para o Papa João Paulo II. Recebe do sumo pontífice a expressão - Obrigado Cantador. Foi um dos mais emocionantes e gratificantes momentos da vida do sanfoneiro, que novamente pensou em candidatar-se a política mas desistiu aconselhado por amigos.
1981
Recebe os dois únicos discos de ouro de toda sua carreira. A RCA Victor presta-lhe significativa homenagem pelo marco de seus 40 anos de carreira, com o lançamento do disco A Festa:
Apresenta-se no festival de verão do Guarujá, na praia de Pitangueiras, ao lado do veterano  Osmar Macedo, co-fundador do Trio Elétrico Dodô e Osmar. Neste mesmo ano visita o então Presidente da República Aureliano Chaves, pedindo-lhe que intervenha em Exu, devido às rixas entre as famílias Saraiva, Alencar e Sampaio, fato que acontece poucos dias depois terminando com uma rivalidade que já durava alguma décadas.
E através do decreto do poder executivo estadual  7.549, de 09 de novembro de 1981, foi nomeado interventor de Exu o major PM Jorge Luiz de Moura, decreto este publicado no Diário Oficial número 209, do dia 10 de novembro.
Grava Junto com Gonzaguinha o Disco Descanso em Casa , Moro no Mundo. Os dois fizeram juntos incríveis apresentações por todo Brasil.
1982
Atendendo convite da cantora Nazaré Pereira, lá radicada, viaja para a França apresentando-se em Paris no teatro Bobinot. A cantora fazia sucesso com a música Cheiro da Carolina e decidiu levar o Rei para a França o conhecer. Na platéia, entre outros, estavam Maria Bethânia, Celso Furtado e o ex-ministro Nascimento e Silva.
1983
Lança o disco 70 anos de sanfona e simpatia.
1984
Luiz Gonzaga canta no disco de Gal Costa - Profana em uma faixa em homenagem a Jackson do Pandeiro.
Grava seu primeiro LP com o Cearense Raimundo Fagner.
1985

É agraciado com o troféu Nipper de Ouro. Além dele, somente o cantor Nelson Gonçalves recebe tal troféu.
1986 
Vai à França pela segunda vez, apresentando-se no dia 6 de Julho no Halle de La Villete, ao lado de Fafá de Belém, Alceu Valença, Moraes Moreira, Armandinho Macedo, entre outros artistas que faziam parte da comitiva o “Couleurs Brésil”.
1988

A RCA Victor lança uma caixa luxuosa com cinco LPs, batizada de 50 Anos de Chão, cobrindo a carreira de Gonzaga desde as primeiras gravações instrumentais. Fagner produz o segundo LP de encontro com o Rei.
1989

Grava seu primeiro LP pela Copacabana, seguidos de mais três LPs, que seriam os últimos de sua carreira; (Verificar na discografia) No dia 06 de Junho, Luiz Gonzaga sobe pela última vez num palco, com o auxílio de uma cadeira de rodas. A platéia presente no teatro Guararapes no Centro de Convenções no Recife não podia prever que não mais veria o velho Lua. Ao lado de Dominguinhos, Gonzaguinha, Alceu Valença e vários outros amigos e parceiros, e desobedecendo à ordens médicas, Gonzagão levantou-se apoiado no microfone e, com sua voz forte e anasalada, apesar de um pouco trêmula, fez pequeno discurso louvando o forró e dizendo:   “Quero ser lembrado como o sanfoneiro que amou e cantou muito o seu povo, o sertão, que cantou as aves, os animais, os padres, os cangaceiros, os retirantes, os valentes, os covardes, o amor...”De osteoporose, Luiz Gonzaga morreu no dia 02 de Agosto de 1989, às 05.15hs, no Hospital Santa Joana, no Recife, onde dera entrada há 42 dias. Seu corpo foi velado na Assembléia Legislativa do Estado e o Governo de Pernambuco decretou luto oficial por três dias.  No dia 13 de dezembro, Gonzaguinha, Fagner, Elba Ramalho, Domiguinhos, Joãozinho do Exu e Joquinha Gonzaga cantam a meia noite parabéns para Luiz Gonzaga, em  Show realizado em Exu. Nesse mesmo dia, pela manhã, foi inaugurado em Exu por Domiguinhos e Gonzaguinha o Museu do Gonzagão.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

MEMORIAS DO GONZAGÃO.

 UM DOS GRANDES RETRATO DE SEU LUIZ NOS ANOS 70 PRODUZIDO PELA COMPANHIA FUMO DO BOM ARAPIRACA- ALAGOAS












 

ETERNO GONZAGÃO.




Festival em Exu celebra aniversário de Luiz Gonzaga

De 09 a 12 de dezembro, forrozeiros e fãs de Luiz Gonzaga de todo o Nordeste celebram em Exu, terra natal do Rei do Baião, no Sertão do Araripe,  o aniversário de nascimento do artista que estaria completando 98 anos no dia 13 de dezembro. O evento marca a última etapa do Festival Pernambuco Nação Cultural em 2010, realizado pela Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), e que, em Exu, se incorpora a programação do projeto Viva Gonzagão. Nestes três dias de festa, o município terá  uma verdadeira maratona de shows no Parque Aza Branca, com grandes nomes do forró como Dominguinhos, Elba Ramalho, Flávio Leandro e Família Gonzaga. Além da prefeitura local, a Fundarpe conta com o apoio da ONG Aza Branca.

Serão oferecidos espetáculos de dança e teatro, seletiva de bandas, Desafio Nordestino de Poetas Cantadores e o Cine Exu - 1º Festival de Cinema e Vídeo do Sertão do Araripe, com a exibição de curtas-metragens produzidos e protagonizados por moradores da região. No dia 12, às 10h, quem estiver pela cidade também poderá participar de uma missa especial em homenagem a Luiz Gonzaga, no Parque Aza Branca, com a participação de forrozeiros da região.
O Rei do Baião nasceu no dia 13 de dezembro. Aprendeu a tocar sanfona e levou a cultura do Sertão para todo o Brasil, cantando as maravilhas e as adversidades do Nordeste. É considerado um dos maiores ícones da cultura brasileira, reconhecido internacionalmente.

Exu está representando o Sertão do Araripe no Festival Pernambuco Nação Cultural, que é promovido pela Fundarpe com apoio da Empetur, prefeitura municipal de Exu e ONG Aza Branca. A caravana cultural - que já passou por Goiana, São José do Belmonte, Garanhuns, Triunfo, Pesqueira, Taquaritinga do Norte, Gravatá e Petrolina - faz parte da política de interiorização das ações de cultura do Governo do Estado e tem como objetivo valorizar a diversidade cultural de Pernambuco.

ARTES CÊNICAS – Nos dias 9 e 10 de dezembro, os admiradores do teatro e da dança que estiverem por Exu terão oportunidade de assistir a espetáculos gratuitos na Escola Santa Bárbara. As peças a serem apresentadas estão passando por uma seletiva nas regiões do Sertão do Araripe, do Sertão do São Francisco e do Sertão de Itaparica. Os espetáculos selecionados só serão divulgados na próxima semana.

DESAFIO DE CANTADORES – A tradicional disputa de repentistas abrirá a primeira noite de shows do Festival Pernambuco Nação Cultural do Sertão do Araripe, no dia 10, às 20h, com o Desafio Nordestino de Poetas Cantadores. O evento – que este ano acompanhou as etapas do Festival Pernambuco Nação Cultural - movimenta 10 duplas de todo o Nordeste, divididas em dois grupos.

Na etapa do Araripe, subirão ao palco as duplas do segundo grupo: Silvio Granjeiro (CE) e Francinaldo Oliveira (PE); Chico Diassis (RN) e Ismael Pereira (CE); Antônio Lisboa (RN) e Edmilson Ferreira (PI); Zé Galdino (PE) e Daniel Olímpio (PE). A noite conta, ainda, com a participação especial de declamadores e aboiadores. Uma comissão julgadora ficará com a responsabilidade de eleger as melhores duplas da noite. Quem obtiver a melhor pontuação leva um prêmio de R$ 1 mil mais o cachê da apresentação. As três duplas mais bem pontuadas de cada grupo durante o ano de 2010 disputarão, em local e data a ser definida, a grande final.

SHOWS – O Parque Aza Branca, tombado, recentemente, como patrimônio imaterial, abrigará toda a programação musical do Viva Gonzagão. O local terá dois palcos, um principal e um alternativo próximo ao tradicional juazeiro. No primeiro dia (10), a partir das 18h, o Palco Juazeiro recebe o projeto itinerante Observa e Toca com a seletiva de bandas do Sertão do Araripe, do São Francisco e de Itaparica. O palco principal terá início às 20h com o Desafio Nordestino de Poetas Cantadores. Na sequência, o cantor Ed Carlos, que gravou um cd em homenagem ao Rei do Baião, mostrará tudo o que sabe sobre forró. Logo em seguida, o público confere o som de Joquinha Gonzaga, sobrinho do Rei do Baião, e de duas grandes estrelas do forró, Anastácia e Dominguinhos.

No sábado (11), a partir das 18h, se apresentam no palco alternativo as bandas da seletiva Observa e Toca do Sertão do Araripe, do São Francisco e de Itaparica. Após a seletiva, o público confere os shows de artistas da região. A noite do sábado no palco principal começa às 22h com Maria Lafaete. Na sequência tem Joãozinho do Exu e Roberto Cruz. Fechando a noite, Elba Ramalho e Flávio Leandro.

No domingo, último dia do Festival, o palco do Juazeiro começa mais cedo, às 13h, e terá diversas atrações regionais, que ainda estão sendo confirmadas. Mais tarde, às 22h, no palco principal, o público confere os shows de Ivan Ferraz, Carlinhos Monteverde, Família Gonzaga, Beto Hortiz e Irah Caldeira.

SELETIVA DE MÚSICA – Nos dias 10 e 11 de dezembro, a partir das 18h, grupos musicais do Sertão do Araripe, do São Francisco e de Itaparica sobem ao Palco Juazeiro, no Parque Aza Branca, para participar da seletiva do projeto itinerante Observa e Toca. A proposta é fazer com que os músicos da região divulguem seus trabalhos e com que os pernambucanos percebam as novidades e produções musicais que acontecem no Estado. Uma comissão julgadora ficará responsável por eleger as duas melhores bandas. Ao final do ano, os três grupos mais bem pontuados de todas as etapas do Festival em 2010 terão direito a participar do Estúdio Ao Vivo Observa e Toca. Os vencedores terão um dia de gravação de material ao vivo em um estúdio.

AUDIOVISUAL – No dia 11 de dezembro, a cidade de Luiz Gonzaga sedia o Cine Exu - 1º Festival de Cinema e Vídeo do Sertão do Araripe. Serão exibidos 10 filmes curtas metragem em formato digital, produzidos e protagonizados por pessoas da região. Cada cidade do Sertão do Araripe apresentará um vídeo, que terá como temática a cultura e a história de cada cidade. O Cine Exu é fruto de um projeto aprovado, em 2009, pelo Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura (Funcultura/Audiovisual). A proposta é estimular o interesse do Sertão do Araripe pela arte e produção cinematográfica. O projeto – coordenado pelos cineastas Tairone Feitosa, Marcos Carvalho, Beto Gomes e Bibi Saraiva – percorreu os 10 municípios que compõem o Sertão do Araripe com mini-oficinas de vídeo que culminaram na produção de filmes digitais. Cerca de 315 pessoas da região participaram da produção dos vídeos, que têm em média 10 minutos.

A cidade de Araripina participará da competição com o filme “Fulô de Açucena”, uma comédia romântica que faz referência ao cinema mudo e preto e branco.  Bodocó traz para a mostra o filme “No Caminho do Claranã”, que tem como tema o misticismo, as assombrações e as lendas da região.  Ipubi trará à tona a cultura da casa de farinha com o drama “A Caçada”.  Já Trindade abordará a exploração do gesso na região com o filme “A Pedra Mágica”. O município de Santa Filomena prestará uma homenagem aos filhos da terra dona Ana das Carrancas e professor João Pessoa, com o filme “A Dama de Barro e o Príncipe das Letras”.

O filme de Ouricuri é “Juvita Feitosa - Quando nem a guerra separa um grande amor”, que conta a história de uma mulher que, por um grande amor, se vestiu de homem para ir para guerra do Paraguai.  A cidade de Granito exibirá uma mistura de documentário e drama sobre a história da cidade. O curta “Granito  - Ontem, hoje e amanhã” é protagonizado e apresentado por crianças.  Santa Cruz também terá sua história abordada no filme “Santa Cruz da Venerada”.  Moreilândia produziu o filme “Palavra de mulher”, que aborda a questão do cangaço e fala sobre uma promessa de paz feita por Maria Bonita ao pároco da cidade. “Boi Ventania” é o nome do curta produzido por Exu. O filme conta a história de uma pega a um boi perdido no mato que acaba separando dois amigos e os leva a uma disputa acirrada.

O Festival premiará com troféus o melhor ator, a melhor atriz, o melhor ator coadjuvante, a melhor atriz coadjuvante, o melhor figurino e a melhor produção.  A sua primeira edição terá como homenageado o ator, diretor e professor João Ferreira.

FOTOGRAFIA – O Festival conta, ainda, com uma programação voltada para fotografia. No dia 09 de dezembro, às 18h, o coordenador de Fotografia da Fundarpe, Geison Magno, participa de um encontro com fotógrafos da região para discutir o setor em Pernambuco.  O encontro acontece na Escola Santa Bárbara. Exu também centralizará uma seletiva de fotografia que terá como tema o Festival. Podem participar fotógrafos profissionais e amadores do Sertão do Araripe - que deverão enviar imagens do Festival Viva Gonzagão de Exu - e do Sertão do São Francisco, que deverão enviar imagens da Festa da Primavera de Petrolina, que aconteceu no final de setembro.  As duas melhores fotos clicadas durante a maratona cultural nas duas regiões serão selecionadas, junto com as finalistas das outras etapas do Festival, para uma mostra na capital pernambucana, em 2011, na Torre Malakoff.  Os candidatos podem inscrever suas fotos de 15 a 17 de dezembro nas secretarias de Cultura das cidades de Exu e de Petrolina.

Confira a programação do Festival Pernambuco Nação cultural do Sertão do Araripe:
Quinta(09)
Artes Cênicas
Mostra de artes cênicas do Sertão do Araripe, do São Francisco e de Itaparica, na Escola Santa Bárbara
Sexta (10)

Artes Cênicas
Mostra de artes cênicas do Sertão do Araripe, do São Francisco e de Itaparica, na Escola Santa Bárbara

Música
Palco Juazeiro, no Parque Aza Branca, a partir das 18h: Observa e Toca (Seletiva de bandas do Sertão do Araripe, do São Francisco e de Itaparica)
Palco Viva Gonzagão, no Parque Aza Branca, a partir das 20h: Desafio Nordestino de Poetas Cantadores, Ed Carlos (PE), Joquinha Gonzaga (PE), Anastácia (PE), Dominguinhos (PE)
Sábado (11)

Audiovisual
Cine Exu – 1º Festival de Cinema e Vídeo do Sertão do Araripe, na Praça de Eventos da cidade, às 19h: A Dama de Barro e o Príncipe das Letras (Santa Filomena), Santa Cruz da Venerada (Santa Cruz), Juvita Feitosa - Quando nem a guerra separa um grande amor (Ouricuri), A Caçada (Ipubi), A Pedra Mágica (Trindade), Torre – Degraus da Fé (Trindade – exibição especial, fora da competição), Fulô de Açucena (Araripina),  No Caminho do Claranã (Bodocó), Granito – Ontem, hoje e amanhã (Granito), Palavra de Mulher (Moreilândia), Boi Ventania (Exu),
Música
Palco Juazeiro, no Parque Aza Branca, a partir das 18h: Observa e Toca (Seletiva de bandas do Sertão do Araripe, do São Francisco e Itaparica)
Palco Viva Gonzagão, no Parque Aza Branca, a partir das 22h: Maria Lafaete (PE), Joãozinho do Exu (PE), Roberto Cruz (PE), Elba Ramalho (PB), Flávio Leandro (PE),
Domingo (12)

Missa em homenagem a Luiz Gonzaga, no Parque Aza Branca, às 10h

Música
Palco Juazeiro, no Parque Aza Branca, a partir das 13h: artistas locais (programação a ser definida)

Palco Viva Gonzagão, no Parque Aza Branca, a partir das 22h: Ivan Ferraz (PE),  Carlinhos Monteverde (PE), Família Gonzaga (PE), Beto Hortiz (PE), Irah Caldeira (MG/PE)

Fundarpe revitaliza mausoléu, casa e Museu de Gonzagão, em Exu
Os três principais pontos de visitação do Parque Aza Branca (propriedade tombada pelo Estado onde se encontram as memórias de Luiz Gonzaga) estão sendo revitalizados pela Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe). A obra, no valor de R$ 110 mil, tem como alvo o mausoléu de Gonzagão e de sua família; a casa onde o artista viveu seus últimos anos; e o museu em sua homenagem. A execução dos serviços está adiantada e deve ficar pronta ainda este mês quando acontece o Festival Pernambuco Nação Cultural do Sertão do Araripe, em Exu. A festividade será realizada entre os dias 9 e 12 de dezembro, integrado ao tradicional Viva Gonzagão.

De acordo com o engenheiro da Fundarpe responsável pela obra, Diógenes Azevedo, o Museu teve o piso e o telhado substituídos, ganhou pintura nova e manta asfáltica, que impede a infiltração de água. O mausoléu do Rei do Baião também sofreu reparos na coberta, com substituição das telhas, serviços no forro de gesso e permuta dos vidros. O prédio ainda ganhou pintura geral e calçada de contorno. A revitalização da casa de Luiz Gonzaga está em andamento. A fachada do prédio já foi pintada e o local também recebeu manta asfáltica. Ainda restam as substituições das telhas e do madeiramento, retoques na pintura, substituição do piso e aplicação de produtos contra cupim.

 “A idéia da revitalização surgiu no festival do ano passado, quando foi constatada a necessidade de se fazer reparos no local. O parque foi tombado pela Fundarpe e a instituição se preocupou em investir nesse processo de recuperação dos imóveis. Estamos tendo todo o cuidado para preservar as cores e a estrutura original”, disse Diógenes Azevedo.
O Parque Aza Branca é um patrimônio cultural tombado pelo Governo do Estado como local de origem e memória de Luiz Gonzaga. São 3,7 hectares que compreendem o Museu de Gonzagão; a casa onde o músico viveu seus últimos anos; seu mausoléu (onde se encontram os restos mortais do músico); o Ponto de Cultura Alegria Pé-de-Serra (aprovado no edital 2008 da Fundarpe); duas pousadas: Santana e Januário, em homenagem aos pais do Rei; e um viveiro de pássaros da espécie asa branca, ave sertaneja cantada em versos em suas composições. A casa do pai de Gonzagão, Januário, localizada na Vila da Fazenda Araripe, em Exu, também está incluída no processo de tombamento como local de origem e memória de Luiz Gonzaga.

Os serviços realizados no Parque Aza Branca

Museu do Gonzagão (obra concluída)

    * Substituição do piso;
    * Substituição de telhado;
    * Pintura de fachada;
    * Aplicação de manta asfáltica que impede a infiltração

Mausoléu (obra concluída)

    * Reparos na coberta, com substituição das telhas;
    * Reparos no forro de gesso;
    * Permuta dos vidros;
    * Pintura geral;
    * Construção de calçada de contorno.

Casa de Luiz Gonzaga (obra em andamento)

    * Pintura de fachada;
    * Aplicação de manta asfáltica contra infiltração;
    * Substituição do telhado;
    * Substituição de madeiramento;
    * Substituição do piso;
    * Aplicação de produto contra cupim.

Festival lembra 98 anos de nascimento de Luiz Gonzaga


Se fosse vivo, o Rei do Baião faria, hoje, 98 anos. Programação especial em Exu comemorou data

Crato. Com o título "Festival Pernambuco Nação Cultural" foi concluída, ontem, a programação comemorativa aos 98 anos de nascimento de Luiz Gonzaga, o "Rei do Baião", com um calendário de eventos que envolveu teatro, dança, cinema, Desafio Nordestino de Cantadores e shows de Dominguinhos, Elba Ramalho, Flávio Leandro e artistas regionais.

O sanfoneiro do "Riacho da Brígida" nasceu na Fazenda Caiçara, Município de Exu (PE), ao lado da casa da heroína Bárbara de Alencar, no dia 13 de dezembro de 1912, dia de Santa Luzia, daí a origem do seu nome. O sobrenome Nascimento foi sugerido pelo padre que o batizou por ter nascido em dezembro, mês do nascimento de Cristo. Gonzaga morreu na cidade de Recife no dia 2 de agosto de 1989.

Vinte um anos depois da morte de Luiz Gonzaga, o som de sua sanfona está cada vez mais presente nas salas de reboco das casas do sertão e nos mais diversos auditórios e palanques, enchendo de emoção e lirismo plateias de todas as categorias sociais. Em Exu, sua terra natal, o aniversário de Gonzagão foi comemorado com a presença de seus maiores seguidores.

Maratona

Durante os dias do festival, promovido pela Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), o Município do Sertão do Araripe recebeu uma maratona de shows no Parque Aza Branca.

A programação incluiu apresentações de Elba Ramalho, Dominguinhos e outros artistas regionais. No mesmo parque, foi celebrada uma missa especial em homenagem ao aniversariante. Dentro do festival, foi promovido também o Cine Exu - 1º Festival de Cinema e Vídeo do Sertão do Araripe, que exibiu dez curtas-metragens produzidos e protagonizados pelos moradores da região. Houve ainda espetáculos de teatro e dança seletiva de bandas e o desafio de poetas cantadores.

Ceará e o Rei do Baião
Pernambucano do século, Luiz Gonzaga tinha uma grande ligação com o Ceará, onde recebeu do Grupo Edson Queiroz a Sereia de Ouro. "Foi uma das poucas vezes que eu troquei o gibão de couro por uma paletó branco", relembrava Luiz Gonzaga não se cansava de repetir que sempre teve um cearense em sua vida. Com duas músicas prontas, ele procurou Lauro Maia para colocar as letras, encontrou Humberto Teixeira e, então, nasceram "Pé de Serra" e "Vira e Mexe".

Com o cearense de Iguatu, Humberto Teixeira, conquistou o título de "Rei do Baião". Com Patativa do Assaré cantou "A Triste Partida", apontada por ele como uma das três melhores músicas que ele gravou. Com o compositor José Clementino Padre Vieira, de Várzea Alegre, e Patativa formou a trilogia do jumento, um movimento que teve como objetivo a valorização do jumento.

Padre Cícero

Foi o primeiro artista nacional a cantar o Padre Cícero com a música "Beata Mocinha", gravada em 1952, uma época em que era proibido batizar crianças com o nome de Cícero. Gonzaga, com a sua sensibilidade poética, abriu caminho para outros artistas explorarem o tema.

Autêntico representante da cultura nordestina manteve-se fiel às suas origens mesmo seguindo carreira musical no Sul do Brasil. A cidade do Crato foi o seu referencial maior. O jornalista Huberto Cabral escreveu, que desde criança, Luiz Gonzaga começou a frequentar a feira semanal do Crato, em companhia de seu pai, Severino Januário, e de seus irmãos. Aos 18 anos, embarcou para Fortaleza, pegando o trem no Crato a fim de servir ao Exército, mais precisamente ao 23-BC.

Saudade

Cabral faz um relato saudosista de Luiz Gonzaga, mostrando suas ligações com a "Princesa do Cariri", lembrando que, depois que Gonzagão deixou o Exército e se tornou cantor e sanfoneiro, visitou Exu e realizou show no Crato em 1946 no antigo Cine Rádio. Em outubro do mesmo ano, animou leilões da Festa de São Francisco, em favor da construção da Igreja e do Hospital São Francisco.

Representante

"Gonzagão foi o mais autêntico representante do Nordeste. Ele fez muito pela região"

Clauver Renê Barreto
Advogado, presidente da OAB-Juazeiro do Norte

"A escola gonzagueana é eterna. Ele será sempre símbolo para as futuras gerações"
Marcos Eduardo Arrais
Acadêmico de Direito, bancário e sanfoneiro

MAIS INFORMAÇÕES

Parque Asa Branca
Exu - Pernambuco
Telefones: (87) 9626.4101
(87) 3879.1216

MESTRE

Sanfoneiro rompeu com preconceitos

Crato. A influência de Luiz Gonzaga rompeu as barreiras dos preconceitos, ultrapassou os muros dos coronéis, os tabus religiosos, as ingerências políticas e, principalmente, a descriminação contra a arte nordestina. Os mais famosos artistas nacionais o têm como mestre. O gemido da sanfona ganhou o mundo, conquistou os jovens, empolgou plateias, arrastando seguidores de todas as classes sociais. Até mesmo gênios como Tom Jobim, Gilberto Gil, Caetano Veloso, dentre outros, ícones da MPB, beberam da fonte do velho Lua.

O presidente da OAB-Juazeiro do Norte, Clauver Renê Barreto, diz que Gonzagão é uma unanimidade. "Ele cantou o Nordeste de cabo a rabo", define o advogado, parafraseando uma expressão gonzagueana. O bancário e advogado, Marcos Eduardo Arraes, foi mais além.

Tornou-se sanfoneiro para, segundo afirma, quebrar a rotina do dia a dia de bancário e advogado, tocando os xotes de Luiz Gonzaga. Marcos, que tinha apenas dois anos quando Luiz Gonzaga morreu, afirma que é o maior símbolo para a geração de novos sanfoneiros.

O mais legítimo representante da arte de Luiz Gonzaga é o neto de Januário, João Januário Maciel, conhecido por Joquinha Gonzaga que, apesar de ter nascido no Rio de Janeiro, assimilou a cultura nordestina. Herdou do tio, Gonzagão, a mesma "puxada" de sanfona. "Essa puxada eu conheço, é a mesma de Januário", dizia Luiz Gonzaga, referindo-se ao sobrinho.

Joquinha nasceu e cresceu ouvindo os conselhos e o ronco da sanfona do tio que o presenteou com uma harmônica de oito baixos, a chamada pé-de-bode. Após dois anos, reconhecendo o talento do sobrinho, Gonzagão trocou os oito baixos por um Acordeom. "Aí foi uma mão na roda", diz Joquinha, lembrando que começou sua trajetória artística tocando em festas e forrós no Rio de Janeiro e, posteriormente, viajando por todo o Nordeste acompanhando o "Rei do Baião" como músico (sanfoneiro).

Em 1986 gravou o seu primeiro disco pela gravadora "top tape", intitulado "Forró, Cheiro e Chamego". Em seguida, a convite de seu tio Gonzagão, viajou numa turnê à Europa e participou de muitos outros shows já como artista convidado do Rei.

A sua maior alegria foi receber o que ele chama de primeiro diploma, quando o Gonzaga declarou em público, registrando oficialmente, que Joquinha seria o seguidor cultural da Família Gonzaga. Em 1988, foi convidado a participar de uma faixa - "Dá licença pra mais um" - no disco "Aí Tem..." de Gonzagão.

Hoje, Joquinha Gonzaga é um dos grandes nomes do forró autêntico, com uma discografia de uma média de 15 LPs e CDs, com destaque para o CD "Cantos e Causos de Gonzagão", gravado em 2006, em que o artista fala de ´causos´ que presenciou nas viagens que fez com o Tio Lula, canta músicas conhecidas de Gonzagão, de compositores conhecidos nacionais e regionais, e também de sua autoria. Joquinha fala do tio com amor filial. Relembra a vida de viajante, acompanhando o "Rei".

Fique por dentro
Ligação com o Crato

Em 1953, Luís Gonzaga abrilhantou a Festa do Centenário do Crato, com grande show na Feira de Amostra, instalada na Praça da Sé, trazido pela Rádio Araripe, sob o comando de Wilson Machado. Em 1974, tornou-se cidadão cratense, título outorgado pela Câmara Municipal, em solenidade realizada no auditório do Sesi.

Em 1975, levou o Coral da Sociedade Cultural Artística do Crato (SCAC) para cantar a Quinta Missa do Vaqueiro, criada por ele, padre João Câncio e Pedro Bandeira, em Lajes, Município de Serrita, localizado no Estado de Pernambuco, em homenagem ao vaqueiro Raimundo Jacó. A diretora da Escola de Música, Divane Cabral, diz que Luiz Gonzaga sempre valorizou a cultura e a arte cratense. O Crato foi o seu ponto de apoio nos grandes eventos promovidos por ele na região.

O Rei do Baião participou também da inauguração da Rádio Araripe, juntamente com seu pai, Januário, e seu irmão, Zé Gonzaga, bem como da Rádio Educadora do Cariri e do Gaibu Avenida. Foi sempre uma das maiores atrações artísticas da Exposição do Crato, além de seu grande divulgador. A música "Eu Vou Pro Crato", interpretada por ele, ainda hoje emociona os cratenses de todas as gerações.