domingo, 20 de fevereiro de 2011

DOCUMENTÁRIO DO GONZAGÃO


Gonzaga nasceu em 13 de Dezembro de 1912, na Fazenda Caiçara, em Exu, distante 603 Km da Capital Pernambucana. Segundo dos nove filhos da união do casal Januário José dos Santos e Ana Batista de Jesus(Santana), veio ao mundo dividido entre a enxada e a sanfona. Foi observando seu pai animando bailes e consertando velhas sanfonas, que lhe desperta a curiosidade por tal instrumento. Certa vez seu pai encontrava-se na roça e sua mãe na beira do rio, o mesmo pegou uma velha sanfona e começou a tocar. Santana, que não queria que o filho trilhasse o mesmo caminho do pai, dava-lhe puxões de orelha que nada adiantavam. Luiz seguia em frente, acompanhando seu pai em diversos forrós, revezando-se com ele na sanfona e ganhando seus primeiros trocados. Um belo dia Januário foi pego de surpresa quando o Srº Miguelzinho, dono de um forró, pediu para que Gonzaga tocasse, este havia acordado com um outro tocador que não apareceu. A salvação foi JanuárioSantanaconvidar o então menino Gonzaga que já mostrara suas habilidades no mesmo terreiro, sem a anuência de seus pais. Fez muito sucesso. E por aquelas "bandas" era conhecido por Luiz de Januário. Assim o Forró rolou solto ao longo da noite, Gonzaga sentia-se feliz, empolgado, era a primeira vez que tocava com o consentimento da mãe. Com o passar da noite, começou a sentir seus olhos arderem, a cabeça pesar, foi então que pediu para deitar na rede e de tão menino que era, ainda fez xixi enquanto dormia. Daí então passou a acompanhar Januário em festas de mais responsabilidades, revezavam-se entre toques e cochilos. Santana a princípio relutava, mas deixou-se levar pelos dois mil réis que o principiante tocador ganhava em suas "empreitadas". Assim cresceu Gonzaga: ajudando o pai na roça e na sanfona, acompanhando Santana às feiras do Exu, fazendo pequenos serviços para os fazendeiros da região, sendo protegido pelo Cel. Manuel Aires de Alencar, homem bondoso e respeitado até por seus inimigos. Gonzaga era bem tratado pelos Aires de Alencar, tanto que suas primeiras escritas e leituras foram ensinamentos das filhas do Coronel.
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Foi o próprio Coronel Aires quem realizou o grande sonho de Gonzaga: possuir sua primeira sanfona. Tal instrumento custava a importância de cento e vinte mil réis, Gonzaga tinha só a metade, a outra o próprio Coronel adiantou, quantia esta paga mais tarde com o fruto do seu trabalho de sanfoneiro. O primeiro dinheiro ganho com a nova sanfona foi no casamento de Seu Dezinho, na Ipueira, onde ganhou vinte mil réis. Tal convite viera aumentar sua fama, começa ali a ser um respeitado sanfoneiro na região.
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Casamento? Gonzaga só pensava nisso. Comprou até aliança. Queria casar com Nazinha, filha do Seu Raimundo Milfont, um importante da cidade. O pai da moça ao tomar conhecimento das intenções do aprendiz de sanfoneiro, não permitiu o namoro. "Um diabo que não trabalha, não tem roça, não tem nada, só vive puxando fole". Gonzaga não hesitou, indignado, comprou uma peixeira, tomou umas truacas (cachaça), quis brigar, quis matar, mas acabou levando outra surra de Santana. Dessa vez fugiu triste para o mato, mas com uma idéia fixa na cabeça: entrar para o Exército.
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Dizendo que ia a uma festa deixou a terra natal rumo ao Crato, no Ceará, cidade maior e mais próspera, onde vendeu a sanfona e pegou o trem para Fortaleza, alistando-se em seguida. Com a Revolução de 1930, o batalhão de Gonzaga percorreu muitos Estados até chegar à cidade de Juiz de Fora, em Minas Gerais. Ali, conheceu outro sanfoneiro, Domingos Ambrósio, o grande amigo que lhe ensinara os ritmos mais populares do Sul: valsas, fados, tangos, sambas. Gonzaga tirou de letra. Em 1939 deu baixa no Exército e seguiu para São Paulo e em seguida para o Rio de Janeiro. Passou então, a apresentar-se em bares da zona do meretrício carioca, nos cabarés da Lapa e em programas de calouros, sempre tocando músicas estrangeiras. Em uma dessas apresentações, um grupo de estudantes cearenses chamou-lhe a atenção para o erro que estava cometendo: por que não tocava músicas de sua terra, as que Januário lhe ensinara? Luiz seguiu o conselho e passou a tocar e compor músicas do Sertão Nordestino. Foi no programa do Ary Barroso que Gonzaga recebera calorosos aplausos pela execução do Vira e Mexe, música de sua autoria, proporcionando ao até então desconhecido Gonzaga o seu primeiro contrato pela Rádio Nacional, no Rio de Janeiro.
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Na solidão da cidade grande, distante de sua família e do seu pé-de-serra, Gonzaga não dispunha de ninguém que dele cuidasse. Apesar de estar morando com seu irmão Zé, demonstrava vontade em construir seu próprio lugar, sua própria família. Teve diversos amores o mais conhecido foi com a corista carioca Odaléia Guedes, em meados do ano de 1945, tendo-a conhecida já grávida, assumindo e registrando como seu filho Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior - Gonzaguinha. Apesar de ser bastante exigente Gonzaga finalmente encontra o que procurava, Em 1948 conhece a pernambucana Helena Cavalcanti, tornando-a sua secretária particular e mais tarde sua companheira. Tal união estendeu-se até perto de sua morte. Não tiveram filhos, pois era estéril.
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O apogeu do Baião perpassou a segunda metade da década de 40 até a primeira metade da década de 50, época na qual Gonzaga consolida-se como um dos artistas mais populares em todo território nacional. Tal sucesso é devido principalmente à genialidade musical da "Asa Branca" (composição dele com Humberto Teixeira), um hino que narra toda trajetória do sofrido imigrante nordestino.
Quando olhei a terra ardendo
Qual fogueira de São João
Eu perguntei a Deus do céu, ai
Por que tamanha judiação.
Luiz Gonzaga - Humberto Teixeira
A partir de 1953 Gonzaga passou a apresentar-se trajado com roupas típicas do Sertão Nordestino: chapéu (inspirado no famoso cangaceiro Virgulino Ferreira, O Lampião, de quem era admirador), gibão e outras peças características da indumentária do vaqueiro nordestino. Alia-se a esta imagem a presença de sua inconfundível Sanfona Branca - A Sanfona do Povo. Com o surgimento de novos padrões na música popular brasileira, o apogeu do Baião começa a apresentar sinais de declínio, apesar disso, Gonzaga não cai no esquecimento, pelo menos para o público do interior, principalmente no Nordeste. Todavia, foi o próprio movimento musical juvenil da Década de 60 - notadamente Gilberto Gil e Caetano Veloso, este último e depois Gonzaguinha regravando ambos o sucesso Asa Branca, responsáveis pelo ressurgimento do nome Gonzaga no cenário musical do país. Em março de 1972 em show realizado no Teatro Tereza Rachel, no Rio de Janeiro, marca o reaparecimento de Gonzaga para as platéias urbanas. Nessa época retorna às paradas de sucesso como "Ovo de Codorna" cuja autoria é do nordestino Severino Ramos.
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Após longo período de atividade profissional, cerca de 35 anos, é chegada a hora de retornar a sua terra natal. Em Exu dá início à construção do tão sonhado Museu do Gonzagão, localizado às margens da BR-122, dentro do Parque Aza Branca (escrevia desta forma por pura supertição, embora soubesse do erro ortográfico). Lá se encontra o maior acervo de peças pertencentes ao Rei do Baião: suas principais sanfonas, inclusive a que tocou para o Papa em Fortaleza; suas vestimentas; seus discos de ouro; troféus; diplomas; títulos; fotos e presentes a ele ofertados ao longo de sua brilhante carreira. Além do Museu, o Parque abriga também o Mausoléu da família, lanchonete, grande palco de shows, várias suítes para acolhimento de visitantes, a casa de Vovô Januário, lojinha de souvenir e a casa grande de onde Gonzaga observava a sua pequena Exu.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

BAIÃO

Baião

A dança que Luiz Gonzaga ensinou
"Eu vou mostrar pra vocês
como se dança o baião
e quem quiser aprender
é favor prestar atenção"
(Baião, Luiz Gonzaga/ Humberto Teixeira, 1946)

Como outros gêneros, o baião designou inicialmente um tipo de reunião festeira dominada pela dança. O folclorista Câmara Cascudo o associa aos termos "baiano" e "rojão". Este último seria o pequeno trecho musical executado pelas violas no intervalo dos desafios da cantoria. Quem imprimiu o formato urbano (e portanto pop) ao gênero foi o sanfoneiro pernambucano Luiz Gonzaga do Nascimento (1912-1989). Imigrante pobre no começo da década de 40, Gonzaga passava o pires nos bordéis do Mangue carioca enquanto tirava na sanfona valsas, sambas e serestas de sucesso na época. Estimulado por frequentadores conterrâneos anexou a seu repertório "coisas do sertão", entre elas o baião.

Com o primeiro parceiro o fluminense Miguel Lima compunha mais mazurcas, calangos e ritmos adjacentes. Associado ao compositor e advogado cearense Humberto Cavalcanti Teixeira (1916-1979) obteve o respaldo poético telúrico que lhe faltava. Mas Teixeira admitia que a idéia tinha sido do parceiro. Em depoimento ao pesquisador Miguel Angelo de Azevedo, o Nirez, reproduzido no livro Vida do viajante: a saga de Luiz Gonzaga, de Dominique Dreyfus (Editora 34, 1996), ele garantiu que Gonzaga planejou meticulosamente o lançamento nacional do baião, junto com outros gêneros nordestinos.

O ritmo binário do baião, vestido por melodias dolentes muitas delas em modo menor, foi devidamente estilizado, amaciado para o paladar urbano pelo sanfoneiro. Antes dele, o cearense Lauro Maia (Teles, 1912-1950), autor entre outros do sucesso Trem de Ferro, gravado por João Gilberto, fez a primeira tentativa de emplacar um gênero nacional a partir do nordeste, através do balanceio, gravado com algum êxito pela dupla Joel e Gaúcho (Marcha do Balanceio) e dos Vocalistas Tropicais (Tão Fácil, Tão Bom).
 O sucesso de Gonzaga na empreitada foi tão grande que ele desequilibrou o eixo da MPB do meio para o fim dos anos 40 até meados dos 50. Antes o mercado musical era lastreado no samba, marchinha, choro e outros produtos do centro cultural do país, o Rio. A bordo de sucessos monumentais como o supracitado Baião e mais Asa Branca, Juazeiro, Paraíba, Qui nem Giló, Respeita Januário, Sabiá, Vem Morena, Baião de Dois, Imbalança, Noites brasileiras e inúmeros outros (além de xotes, xamegos, toadas, cocos, xaxados e até maracatu), Gonzaga colocou o nordeste no mapa (inclusive das vendas) da MPB. No auge, as prensas da gravadora RCA (atual BMG) onde era contratado, trabalhavam quase exclusivamente para seus discos. Além de Teixeira, Gonzaga teve outro parceiro fixo, o médico pernambucano José de Souza Dantas Filho, o Zé Dantas (1921-1962), responsável por obras primas como a toada A Volta da Asa Branca, A Dança da Moda (referência ao sucesso do baião), Riacho do Navio, Vozes da Seca, Cintura Fina, Algodão e alguns dos relacionados acima.

Reinado

De todo canto surgiam novos autores como o maranhense João do Vale, o pernambucano Luís Vieira, parceiros e fornecedores de repertório como o paulista Hervê Cordovil (Baião da Garôa), o cearense Guio de Moraes (No Ceará Não Tem Disso Não), Onildo de Almeida, João Silva, José Marcolino e a dupla carioca Armando Cavalcanti e Klecius Caldas, autora de Boiadeiro prefixo de seu programa na rádio Nacional. Além de inúmeros concorrentes do rei Gonzaga, o baião ostentava ainda uma rainha e uma princesa, respectivamente, Carmélia Alves e Claudette Soares. Outra a quem o soberano apadrinhou pessoalmente foi a pernambucana Inês Caetano de Oliveira, artista que estourou no nordeste com o nome de Marinês e sua Gente.

A síntese instrumental imaginada por Gonzaga para acompanhar o ritmo — sanfona (ou acordeon), zabumba (fazendo o baixo) e triângulo — virou epidemia. O pesado acordeon, difundido em academias como a do folclórico Mascarenhas (que chegava a reunir mil alunos nos finais de curso, no Maracanãzinho) também se espalhou. Vários ases da moderna MPB como João Donato, Eumir Deodato (que faria a bossa Baiãozinho), Edu Lobo e Milton Nascimento começaram na música digitando os foles do instrumento. Outros modernistas como o minimalista João Gilberto ("Bimbom/ é só isso o meu baião") e Lúcio Alves (Baião de Copacabana) repaginaram o estilo. Até Tom Jobim em sua fase pós-bossa passeou pelo gênero incorporando o refrão Do Pilar (de Jararaca) em O Boto, além do extemporâneo Pato Preto, gravado em seu ultimo disco, em 1994.

A partir do final dos 50, o baião entrou em declínio, mas Gonzaga foi reabilitado por uma geração nordestina que o ouvia no rádio — do paraibano Geraldo Vandré (que regravou Asa Branca como canção de protesto, em 1965) aos baianos tropicalistas Caetano Veloso, Gilberto Gil e Gal Costa, ávidos releitores de sua obra. Estudioso da música nordestina, o paulista Sérgio Ricardo utilizou o ritmo nas trilhas dos filmes "Deus e o Diabo na Terra do Sol" (do cineasta Glauber Rocha) e em seu "A Noite do Espantalho", onde atuavam os pernambucanos Alceu Valença e Geraldo Azevedo. A estes se juntaria, na mesma década de 70, uma leva plugada de nordestinos reverentes ao mestre, de Fagner ao roqueiro Raul Seixas.

Influência na América

O filho adotivo do rei do baião, Luiz Gonzaga Jr. seguiu outros rumos musicais embora tenha composto baiões de estirpe (Erva Rasteira), gravados pelo pai. Gonzagão (como passou a ser conhecido após o sucesso do filho) nomeou herdeiro artístico o sanfoneiro conterrâneo (de Garanhuns) José Domingos de Morais, o Dominguinhos. Mas este não se limitou ao formato fixo do baião, que gerou um subproduto de efêmera duração, a toada moderna do final dos anos 60 praticada por autores como Antonio Adolfo & Tibério Gaspar (Sá Marina, Juliana, Teletema), Danilo Caymmi, Paulinho Tapajós e Edmundo Souto (Andança). De passagem pelo Brasil como pianista da cantora Marlene Dietrich nos 50, o compositor americano Burt Bacharach também pagou tributo ao ritmo em hits como Walk on By e Do You Know The Way to San Jose.

O baião foi e é matriz de intervenções modernizadoras de Hermeto Pascoal (desde o Quarteto Novo), Edu Lobo, Egberto Gismonti, Guinga e inúmeros outros instrumentistas. Mais longinquo e miscigenado o gen do baião também contamina uma corrente nordestina que emergiu no Mpop do B dos 90, o paraibano Chico Cesar, o pernambucano Lenine e os maranhenses Zeca Baleiro e Rita Ribeiro. A perenidade do gênero foi definida por Gilberto Gil em De Onde Vem o Baião, de 1976: "debaixo do barro do chão/ da pista onde se dança/ suspira uma sustança sustentada/ por um sopro divino/ que sobe pelos pés da gente/ e de repente se lança/ pela sanfona afora".

LUIZ GONZAGA







sábado, 12 de fevereiro de 2011



SAIDA PARA O CRATO


EXÚ VISTO DE CIMA


DISCOGRAFIA DO REI

LP's
1961 - Luiz "LUA" Gonzaga - RCA Victor
•1962 - O Véio Macho - RCA
•1962 - São João na Roça - RCA
•1963 - Pisa no Pilão (Festa do Milho) - RCA
•1964 - A Triste Partida - RCA
•1964 - Sanfona do Povo - RCA
•1965 - Quadrilhas e Marchinhas Juninas - RCA
•1967 - Óia Eu Aqui de Novo - RCA
•1968 - Canaã - RCA
•1968 - O Sanfoneiro do Povo de Deus - RCA
•1968 - São João do Araripe - RCA
•1970 - Sertão 70 - RCA
•1971 - O Canto Jovem de Luiz Gonzaga - RCA
•1972 - Aquilo Bom - RCA
•1972 - São João Quente - RCA
•1973 - Luiz Gonzaga - Odeon
•1973/74 - A Nova Jerusalém - Odeon
•1973/74 - O Fole Roncou - Odeon
•1973/74 - Sangue Nordestino - Odeon
•1974 - Daquele Jeito - Odeon
•1976 - Capim Novo - RCA
•1977 - Chá Cutuba - RCA
•1977 - Luiz Gonzaga & Carmélia Alves - RCA
•1978 - Dengo Maior - RCA
•1979 - Eu e Meu Pai - RCA
•1979 - Quadrilhas e Marchinhas Juninas vol. 2 - RCA
•1980 - O Homem da Terra - RCA
•1981 - A Festa - RCA
•1981 - Gonzagão e Gonzaguinha, A Vida do Viajante - EMI-Odeon/RCA
•1982 - Eterno Cantador - RCA
•1983 - 70 Anos de Sanfona e Simpatia - RCA
•1984 - Danado de Bom - RCA-Camden
•1984 - Luiz Gonzaga & Fagner - RCA
•1985 - Sanfoneiro Macho - RCA-Camden
•1986 - Forró de Cabo a Rabo - RCA-Camden
•1987 - De Fia Pavi - RCA Vik
•1988 - Aí Tem Gonzagão - BMG (RCA-Ariola)
•1988 - Luiz Gonzaga & Fagner 2 - RCA (BMG)
•1989 - Vou Te Matar de Cheiro - Copacabana