quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

MEMORIAS DO GONZAGÃO.

 UM DOS GRANDES RETRATO DE SEU LUIZ NOS ANOS 70 PRODUZIDO PELA COMPANHIA FUMO DO BOM ARAPIRACA- ALAGOAS












 

ETERNO GONZAGÃO.




Festival em Exu celebra aniversário de Luiz Gonzaga

De 09 a 12 de dezembro, forrozeiros e fãs de Luiz Gonzaga de todo o Nordeste celebram em Exu, terra natal do Rei do Baião, no Sertão do Araripe,  o aniversário de nascimento do artista que estaria completando 98 anos no dia 13 de dezembro. O evento marca a última etapa do Festival Pernambuco Nação Cultural em 2010, realizado pela Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), e que, em Exu, se incorpora a programação do projeto Viva Gonzagão. Nestes três dias de festa, o município terá  uma verdadeira maratona de shows no Parque Aza Branca, com grandes nomes do forró como Dominguinhos, Elba Ramalho, Flávio Leandro e Família Gonzaga. Além da prefeitura local, a Fundarpe conta com o apoio da ONG Aza Branca.

Serão oferecidos espetáculos de dança e teatro, seletiva de bandas, Desafio Nordestino de Poetas Cantadores e o Cine Exu - 1º Festival de Cinema e Vídeo do Sertão do Araripe, com a exibição de curtas-metragens produzidos e protagonizados por moradores da região. No dia 12, às 10h, quem estiver pela cidade também poderá participar de uma missa especial em homenagem a Luiz Gonzaga, no Parque Aza Branca, com a participação de forrozeiros da região.
O Rei do Baião nasceu no dia 13 de dezembro. Aprendeu a tocar sanfona e levou a cultura do Sertão para todo o Brasil, cantando as maravilhas e as adversidades do Nordeste. É considerado um dos maiores ícones da cultura brasileira, reconhecido internacionalmente.

Exu está representando o Sertão do Araripe no Festival Pernambuco Nação Cultural, que é promovido pela Fundarpe com apoio da Empetur, prefeitura municipal de Exu e ONG Aza Branca. A caravana cultural - que já passou por Goiana, São José do Belmonte, Garanhuns, Triunfo, Pesqueira, Taquaritinga do Norte, Gravatá e Petrolina - faz parte da política de interiorização das ações de cultura do Governo do Estado e tem como objetivo valorizar a diversidade cultural de Pernambuco.

ARTES CÊNICAS – Nos dias 9 e 10 de dezembro, os admiradores do teatro e da dança que estiverem por Exu terão oportunidade de assistir a espetáculos gratuitos na Escola Santa Bárbara. As peças a serem apresentadas estão passando por uma seletiva nas regiões do Sertão do Araripe, do Sertão do São Francisco e do Sertão de Itaparica. Os espetáculos selecionados só serão divulgados na próxima semana.

DESAFIO DE CANTADORES – A tradicional disputa de repentistas abrirá a primeira noite de shows do Festival Pernambuco Nação Cultural do Sertão do Araripe, no dia 10, às 20h, com o Desafio Nordestino de Poetas Cantadores. O evento – que este ano acompanhou as etapas do Festival Pernambuco Nação Cultural - movimenta 10 duplas de todo o Nordeste, divididas em dois grupos.

Na etapa do Araripe, subirão ao palco as duplas do segundo grupo: Silvio Granjeiro (CE) e Francinaldo Oliveira (PE); Chico Diassis (RN) e Ismael Pereira (CE); Antônio Lisboa (RN) e Edmilson Ferreira (PI); Zé Galdino (PE) e Daniel Olímpio (PE). A noite conta, ainda, com a participação especial de declamadores e aboiadores. Uma comissão julgadora ficará com a responsabilidade de eleger as melhores duplas da noite. Quem obtiver a melhor pontuação leva um prêmio de R$ 1 mil mais o cachê da apresentação. As três duplas mais bem pontuadas de cada grupo durante o ano de 2010 disputarão, em local e data a ser definida, a grande final.

SHOWS – O Parque Aza Branca, tombado, recentemente, como patrimônio imaterial, abrigará toda a programação musical do Viva Gonzagão. O local terá dois palcos, um principal e um alternativo próximo ao tradicional juazeiro. No primeiro dia (10), a partir das 18h, o Palco Juazeiro recebe o projeto itinerante Observa e Toca com a seletiva de bandas do Sertão do Araripe, do São Francisco e de Itaparica. O palco principal terá início às 20h com o Desafio Nordestino de Poetas Cantadores. Na sequência, o cantor Ed Carlos, que gravou um cd em homenagem ao Rei do Baião, mostrará tudo o que sabe sobre forró. Logo em seguida, o público confere o som de Joquinha Gonzaga, sobrinho do Rei do Baião, e de duas grandes estrelas do forró, Anastácia e Dominguinhos.

No sábado (11), a partir das 18h, se apresentam no palco alternativo as bandas da seletiva Observa e Toca do Sertão do Araripe, do São Francisco e de Itaparica. Após a seletiva, o público confere os shows de artistas da região. A noite do sábado no palco principal começa às 22h com Maria Lafaete. Na sequência tem Joãozinho do Exu e Roberto Cruz. Fechando a noite, Elba Ramalho e Flávio Leandro.

No domingo, último dia do Festival, o palco do Juazeiro começa mais cedo, às 13h, e terá diversas atrações regionais, que ainda estão sendo confirmadas. Mais tarde, às 22h, no palco principal, o público confere os shows de Ivan Ferraz, Carlinhos Monteverde, Família Gonzaga, Beto Hortiz e Irah Caldeira.

SELETIVA DE MÚSICA – Nos dias 10 e 11 de dezembro, a partir das 18h, grupos musicais do Sertão do Araripe, do São Francisco e de Itaparica sobem ao Palco Juazeiro, no Parque Aza Branca, para participar da seletiva do projeto itinerante Observa e Toca. A proposta é fazer com que os músicos da região divulguem seus trabalhos e com que os pernambucanos percebam as novidades e produções musicais que acontecem no Estado. Uma comissão julgadora ficará responsável por eleger as duas melhores bandas. Ao final do ano, os três grupos mais bem pontuados de todas as etapas do Festival em 2010 terão direito a participar do Estúdio Ao Vivo Observa e Toca. Os vencedores terão um dia de gravação de material ao vivo em um estúdio.

AUDIOVISUAL – No dia 11 de dezembro, a cidade de Luiz Gonzaga sedia o Cine Exu - 1º Festival de Cinema e Vídeo do Sertão do Araripe. Serão exibidos 10 filmes curtas metragem em formato digital, produzidos e protagonizados por pessoas da região. Cada cidade do Sertão do Araripe apresentará um vídeo, que terá como temática a cultura e a história de cada cidade. O Cine Exu é fruto de um projeto aprovado, em 2009, pelo Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura (Funcultura/Audiovisual). A proposta é estimular o interesse do Sertão do Araripe pela arte e produção cinematográfica. O projeto – coordenado pelos cineastas Tairone Feitosa, Marcos Carvalho, Beto Gomes e Bibi Saraiva – percorreu os 10 municípios que compõem o Sertão do Araripe com mini-oficinas de vídeo que culminaram na produção de filmes digitais. Cerca de 315 pessoas da região participaram da produção dos vídeos, que têm em média 10 minutos.

A cidade de Araripina participará da competição com o filme “Fulô de Açucena”, uma comédia romântica que faz referência ao cinema mudo e preto e branco.  Bodocó traz para a mostra o filme “No Caminho do Claranã”, que tem como tema o misticismo, as assombrações e as lendas da região.  Ipubi trará à tona a cultura da casa de farinha com o drama “A Caçada”.  Já Trindade abordará a exploração do gesso na região com o filme “A Pedra Mágica”. O município de Santa Filomena prestará uma homenagem aos filhos da terra dona Ana das Carrancas e professor João Pessoa, com o filme “A Dama de Barro e o Príncipe das Letras”.

O filme de Ouricuri é “Juvita Feitosa - Quando nem a guerra separa um grande amor”, que conta a história de uma mulher que, por um grande amor, se vestiu de homem para ir para guerra do Paraguai.  A cidade de Granito exibirá uma mistura de documentário e drama sobre a história da cidade. O curta “Granito  - Ontem, hoje e amanhã” é protagonizado e apresentado por crianças.  Santa Cruz também terá sua história abordada no filme “Santa Cruz da Venerada”.  Moreilândia produziu o filme “Palavra de mulher”, que aborda a questão do cangaço e fala sobre uma promessa de paz feita por Maria Bonita ao pároco da cidade. “Boi Ventania” é o nome do curta produzido por Exu. O filme conta a história de uma pega a um boi perdido no mato que acaba separando dois amigos e os leva a uma disputa acirrada.

O Festival premiará com troféus o melhor ator, a melhor atriz, o melhor ator coadjuvante, a melhor atriz coadjuvante, o melhor figurino e a melhor produção.  A sua primeira edição terá como homenageado o ator, diretor e professor João Ferreira.

FOTOGRAFIA – O Festival conta, ainda, com uma programação voltada para fotografia. No dia 09 de dezembro, às 18h, o coordenador de Fotografia da Fundarpe, Geison Magno, participa de um encontro com fotógrafos da região para discutir o setor em Pernambuco.  O encontro acontece na Escola Santa Bárbara. Exu também centralizará uma seletiva de fotografia que terá como tema o Festival. Podem participar fotógrafos profissionais e amadores do Sertão do Araripe - que deverão enviar imagens do Festival Viva Gonzagão de Exu - e do Sertão do São Francisco, que deverão enviar imagens da Festa da Primavera de Petrolina, que aconteceu no final de setembro.  As duas melhores fotos clicadas durante a maratona cultural nas duas regiões serão selecionadas, junto com as finalistas das outras etapas do Festival, para uma mostra na capital pernambucana, em 2011, na Torre Malakoff.  Os candidatos podem inscrever suas fotos de 15 a 17 de dezembro nas secretarias de Cultura das cidades de Exu e de Petrolina.

Confira a programação do Festival Pernambuco Nação cultural do Sertão do Araripe:
Quinta(09)
Artes Cênicas
Mostra de artes cênicas do Sertão do Araripe, do São Francisco e de Itaparica, na Escola Santa Bárbara
Sexta (10)

Artes Cênicas
Mostra de artes cênicas do Sertão do Araripe, do São Francisco e de Itaparica, na Escola Santa Bárbara

Música
Palco Juazeiro, no Parque Aza Branca, a partir das 18h: Observa e Toca (Seletiva de bandas do Sertão do Araripe, do São Francisco e de Itaparica)
Palco Viva Gonzagão, no Parque Aza Branca, a partir das 20h: Desafio Nordestino de Poetas Cantadores, Ed Carlos (PE), Joquinha Gonzaga (PE), Anastácia (PE), Dominguinhos (PE)
Sábado (11)

Audiovisual
Cine Exu – 1º Festival de Cinema e Vídeo do Sertão do Araripe, na Praça de Eventos da cidade, às 19h: A Dama de Barro e o Príncipe das Letras (Santa Filomena), Santa Cruz da Venerada (Santa Cruz), Juvita Feitosa - Quando nem a guerra separa um grande amor (Ouricuri), A Caçada (Ipubi), A Pedra Mágica (Trindade), Torre – Degraus da Fé (Trindade – exibição especial, fora da competição), Fulô de Açucena (Araripina),  No Caminho do Claranã (Bodocó), Granito – Ontem, hoje e amanhã (Granito), Palavra de Mulher (Moreilândia), Boi Ventania (Exu),
Música
Palco Juazeiro, no Parque Aza Branca, a partir das 18h: Observa e Toca (Seletiva de bandas do Sertão do Araripe, do São Francisco e Itaparica)
Palco Viva Gonzagão, no Parque Aza Branca, a partir das 22h: Maria Lafaete (PE), Joãozinho do Exu (PE), Roberto Cruz (PE), Elba Ramalho (PB), Flávio Leandro (PE),
Domingo (12)

Missa em homenagem a Luiz Gonzaga, no Parque Aza Branca, às 10h

Música
Palco Juazeiro, no Parque Aza Branca, a partir das 13h: artistas locais (programação a ser definida)

Palco Viva Gonzagão, no Parque Aza Branca, a partir das 22h: Ivan Ferraz (PE),  Carlinhos Monteverde (PE), Família Gonzaga (PE), Beto Hortiz (PE), Irah Caldeira (MG/PE)

Fundarpe revitaliza mausoléu, casa e Museu de Gonzagão, em Exu
Os três principais pontos de visitação do Parque Aza Branca (propriedade tombada pelo Estado onde se encontram as memórias de Luiz Gonzaga) estão sendo revitalizados pela Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe). A obra, no valor de R$ 110 mil, tem como alvo o mausoléu de Gonzagão e de sua família; a casa onde o artista viveu seus últimos anos; e o museu em sua homenagem. A execução dos serviços está adiantada e deve ficar pronta ainda este mês quando acontece o Festival Pernambuco Nação Cultural do Sertão do Araripe, em Exu. A festividade será realizada entre os dias 9 e 12 de dezembro, integrado ao tradicional Viva Gonzagão.

De acordo com o engenheiro da Fundarpe responsável pela obra, Diógenes Azevedo, o Museu teve o piso e o telhado substituídos, ganhou pintura nova e manta asfáltica, que impede a infiltração de água. O mausoléu do Rei do Baião também sofreu reparos na coberta, com substituição das telhas, serviços no forro de gesso e permuta dos vidros. O prédio ainda ganhou pintura geral e calçada de contorno. A revitalização da casa de Luiz Gonzaga está em andamento. A fachada do prédio já foi pintada e o local também recebeu manta asfáltica. Ainda restam as substituições das telhas e do madeiramento, retoques na pintura, substituição do piso e aplicação de produtos contra cupim.

 “A idéia da revitalização surgiu no festival do ano passado, quando foi constatada a necessidade de se fazer reparos no local. O parque foi tombado pela Fundarpe e a instituição se preocupou em investir nesse processo de recuperação dos imóveis. Estamos tendo todo o cuidado para preservar as cores e a estrutura original”, disse Diógenes Azevedo.
O Parque Aza Branca é um patrimônio cultural tombado pelo Governo do Estado como local de origem e memória de Luiz Gonzaga. São 3,7 hectares que compreendem o Museu de Gonzagão; a casa onde o músico viveu seus últimos anos; seu mausoléu (onde se encontram os restos mortais do músico); o Ponto de Cultura Alegria Pé-de-Serra (aprovado no edital 2008 da Fundarpe); duas pousadas: Santana e Januário, em homenagem aos pais do Rei; e um viveiro de pássaros da espécie asa branca, ave sertaneja cantada em versos em suas composições. A casa do pai de Gonzagão, Januário, localizada na Vila da Fazenda Araripe, em Exu, também está incluída no processo de tombamento como local de origem e memória de Luiz Gonzaga.

Os serviços realizados no Parque Aza Branca

Museu do Gonzagão (obra concluída)

    * Substituição do piso;
    * Substituição de telhado;
    * Pintura de fachada;
    * Aplicação de manta asfáltica que impede a infiltração

Mausoléu (obra concluída)

    * Reparos na coberta, com substituição das telhas;
    * Reparos no forro de gesso;
    * Permuta dos vidros;
    * Pintura geral;
    * Construção de calçada de contorno.

Casa de Luiz Gonzaga (obra em andamento)

    * Pintura de fachada;
    * Aplicação de manta asfáltica contra infiltração;
    * Substituição do telhado;
    * Substituição de madeiramento;
    * Substituição do piso;
    * Aplicação de produto contra cupim.

Festival lembra 98 anos de nascimento de Luiz Gonzaga


Se fosse vivo, o Rei do Baião faria, hoje, 98 anos. Programação especial em Exu comemorou data

Crato. Com o título "Festival Pernambuco Nação Cultural" foi concluída, ontem, a programação comemorativa aos 98 anos de nascimento de Luiz Gonzaga, o "Rei do Baião", com um calendário de eventos que envolveu teatro, dança, cinema, Desafio Nordestino de Cantadores e shows de Dominguinhos, Elba Ramalho, Flávio Leandro e artistas regionais.

O sanfoneiro do "Riacho da Brígida" nasceu na Fazenda Caiçara, Município de Exu (PE), ao lado da casa da heroína Bárbara de Alencar, no dia 13 de dezembro de 1912, dia de Santa Luzia, daí a origem do seu nome. O sobrenome Nascimento foi sugerido pelo padre que o batizou por ter nascido em dezembro, mês do nascimento de Cristo. Gonzaga morreu na cidade de Recife no dia 2 de agosto de 1989.

Vinte um anos depois da morte de Luiz Gonzaga, o som de sua sanfona está cada vez mais presente nas salas de reboco das casas do sertão e nos mais diversos auditórios e palanques, enchendo de emoção e lirismo plateias de todas as categorias sociais. Em Exu, sua terra natal, o aniversário de Gonzagão foi comemorado com a presença de seus maiores seguidores.

Maratona

Durante os dias do festival, promovido pela Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), o Município do Sertão do Araripe recebeu uma maratona de shows no Parque Aza Branca.

A programação incluiu apresentações de Elba Ramalho, Dominguinhos e outros artistas regionais. No mesmo parque, foi celebrada uma missa especial em homenagem ao aniversariante. Dentro do festival, foi promovido também o Cine Exu - 1º Festival de Cinema e Vídeo do Sertão do Araripe, que exibiu dez curtas-metragens produzidos e protagonizados pelos moradores da região. Houve ainda espetáculos de teatro e dança seletiva de bandas e o desafio de poetas cantadores.

Ceará e o Rei do Baião
Pernambucano do século, Luiz Gonzaga tinha uma grande ligação com o Ceará, onde recebeu do Grupo Edson Queiroz a Sereia de Ouro. "Foi uma das poucas vezes que eu troquei o gibão de couro por uma paletó branco", relembrava Luiz Gonzaga não se cansava de repetir que sempre teve um cearense em sua vida. Com duas músicas prontas, ele procurou Lauro Maia para colocar as letras, encontrou Humberto Teixeira e, então, nasceram "Pé de Serra" e "Vira e Mexe".

Com o cearense de Iguatu, Humberto Teixeira, conquistou o título de "Rei do Baião". Com Patativa do Assaré cantou "A Triste Partida", apontada por ele como uma das três melhores músicas que ele gravou. Com o compositor José Clementino Padre Vieira, de Várzea Alegre, e Patativa formou a trilogia do jumento, um movimento que teve como objetivo a valorização do jumento.

Padre Cícero

Foi o primeiro artista nacional a cantar o Padre Cícero com a música "Beata Mocinha", gravada em 1952, uma época em que era proibido batizar crianças com o nome de Cícero. Gonzaga, com a sua sensibilidade poética, abriu caminho para outros artistas explorarem o tema.

Autêntico representante da cultura nordestina manteve-se fiel às suas origens mesmo seguindo carreira musical no Sul do Brasil. A cidade do Crato foi o seu referencial maior. O jornalista Huberto Cabral escreveu, que desde criança, Luiz Gonzaga começou a frequentar a feira semanal do Crato, em companhia de seu pai, Severino Januário, e de seus irmãos. Aos 18 anos, embarcou para Fortaleza, pegando o trem no Crato a fim de servir ao Exército, mais precisamente ao 23-BC.

Saudade

Cabral faz um relato saudosista de Luiz Gonzaga, mostrando suas ligações com a "Princesa do Cariri", lembrando que, depois que Gonzagão deixou o Exército e se tornou cantor e sanfoneiro, visitou Exu e realizou show no Crato em 1946 no antigo Cine Rádio. Em outubro do mesmo ano, animou leilões da Festa de São Francisco, em favor da construção da Igreja e do Hospital São Francisco.

Representante

"Gonzagão foi o mais autêntico representante do Nordeste. Ele fez muito pela região"

Clauver Renê Barreto
Advogado, presidente da OAB-Juazeiro do Norte

"A escola gonzagueana é eterna. Ele será sempre símbolo para as futuras gerações"
Marcos Eduardo Arrais
Acadêmico de Direito, bancário e sanfoneiro

MAIS INFORMAÇÕES

Parque Asa Branca
Exu - Pernambuco
Telefones: (87) 9626.4101
(87) 3879.1216

MESTRE

Sanfoneiro rompeu com preconceitos

Crato. A influência de Luiz Gonzaga rompeu as barreiras dos preconceitos, ultrapassou os muros dos coronéis, os tabus religiosos, as ingerências políticas e, principalmente, a descriminação contra a arte nordestina. Os mais famosos artistas nacionais o têm como mestre. O gemido da sanfona ganhou o mundo, conquistou os jovens, empolgou plateias, arrastando seguidores de todas as classes sociais. Até mesmo gênios como Tom Jobim, Gilberto Gil, Caetano Veloso, dentre outros, ícones da MPB, beberam da fonte do velho Lua.

O presidente da OAB-Juazeiro do Norte, Clauver Renê Barreto, diz que Gonzagão é uma unanimidade. "Ele cantou o Nordeste de cabo a rabo", define o advogado, parafraseando uma expressão gonzagueana. O bancário e advogado, Marcos Eduardo Arraes, foi mais além.

Tornou-se sanfoneiro para, segundo afirma, quebrar a rotina do dia a dia de bancário e advogado, tocando os xotes de Luiz Gonzaga. Marcos, que tinha apenas dois anos quando Luiz Gonzaga morreu, afirma que é o maior símbolo para a geração de novos sanfoneiros.

O mais legítimo representante da arte de Luiz Gonzaga é o neto de Januário, João Januário Maciel, conhecido por Joquinha Gonzaga que, apesar de ter nascido no Rio de Janeiro, assimilou a cultura nordestina. Herdou do tio, Gonzagão, a mesma "puxada" de sanfona. "Essa puxada eu conheço, é a mesma de Januário", dizia Luiz Gonzaga, referindo-se ao sobrinho.

Joquinha nasceu e cresceu ouvindo os conselhos e o ronco da sanfona do tio que o presenteou com uma harmônica de oito baixos, a chamada pé-de-bode. Após dois anos, reconhecendo o talento do sobrinho, Gonzagão trocou os oito baixos por um Acordeom. "Aí foi uma mão na roda", diz Joquinha, lembrando que começou sua trajetória artística tocando em festas e forrós no Rio de Janeiro e, posteriormente, viajando por todo o Nordeste acompanhando o "Rei do Baião" como músico (sanfoneiro).

Em 1986 gravou o seu primeiro disco pela gravadora "top tape", intitulado "Forró, Cheiro e Chamego". Em seguida, a convite de seu tio Gonzagão, viajou numa turnê à Europa e participou de muitos outros shows já como artista convidado do Rei.

A sua maior alegria foi receber o que ele chama de primeiro diploma, quando o Gonzaga declarou em público, registrando oficialmente, que Joquinha seria o seguidor cultural da Família Gonzaga. Em 1988, foi convidado a participar de uma faixa - "Dá licença pra mais um" - no disco "Aí Tem..." de Gonzagão.

Hoje, Joquinha Gonzaga é um dos grandes nomes do forró autêntico, com uma discografia de uma média de 15 LPs e CDs, com destaque para o CD "Cantos e Causos de Gonzagão", gravado em 2006, em que o artista fala de ´causos´ que presenciou nas viagens que fez com o Tio Lula, canta músicas conhecidas de Gonzagão, de compositores conhecidos nacionais e regionais, e também de sua autoria. Joquinha fala do tio com amor filial. Relembra a vida de viajante, acompanhando o "Rei".

Fique por dentro
Ligação com o Crato

Em 1953, Luís Gonzaga abrilhantou a Festa do Centenário do Crato, com grande show na Feira de Amostra, instalada na Praça da Sé, trazido pela Rádio Araripe, sob o comando de Wilson Machado. Em 1974, tornou-se cidadão cratense, título outorgado pela Câmara Municipal, em solenidade realizada no auditório do Sesi.

Em 1975, levou o Coral da Sociedade Cultural Artística do Crato (SCAC) para cantar a Quinta Missa do Vaqueiro, criada por ele, padre João Câncio e Pedro Bandeira, em Lajes, Município de Serrita, localizado no Estado de Pernambuco, em homenagem ao vaqueiro Raimundo Jacó. A diretora da Escola de Música, Divane Cabral, diz que Luiz Gonzaga sempre valorizou a cultura e a arte cratense. O Crato foi o seu ponto de apoio nos grandes eventos promovidos por ele na região.

O Rei do Baião participou também da inauguração da Rádio Araripe, juntamente com seu pai, Januário, e seu irmão, Zé Gonzaga, bem como da Rádio Educadora do Cariri e do Gaibu Avenida. Foi sempre uma das maiores atrações artísticas da Exposição do Crato, além de seu grande divulgador. A música "Eu Vou Pro Crato", interpretada por ele, ainda hoje emociona os cratenses de todas as gerações.