terça-feira, 17 de maio de 2011

Louvação ao pernambucano do século, gonzagão.




O Rei do Baião ganha inesperadas homenagens póstumas. Sem que nenhuma efeméride sirva de motivação à louvação da memória de Luiz Gonzaga (Exu, 1912 – Recife, 1989), os admiradores do pernambucano do século são surpreendidos com a estréia mundial da Missa Brasileira para Orquestra e Quatro Vozes, do maestro pernambucano Cussy de Almeida, e a execução de Gonzagueana – 12 Cenas dos Sertões, composta pela baiana Ilza Nogueira, que serão apresentadas amanhã, no Teatro da Universidade Federal de Pernambuco. O outro presente, mais acessível aos fãs, é o lançamento de Luiz Gonzaga Volta Pra Cantar, raro registro de um show do sanfoneiro, no Teatro Tereza Rachel, no Rio de Janeiro, em 1972. Encontrado por acaso pela BMG, chega no mercado como uma das preciosidades alusivas aos cem anos da RCA, a qual incorporou, em 1986. O disco, coincidentemente, chega no momento em que o forró está em alta mais uma vez.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Saudades de gonzaguinha e gonzagão.

Gonzaguinha
       Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior nasceu no dia 22/09/1945, no Rio de Janeiro, e faleceu em 29/04/1991, em Pato Branco/PR. Filho de Luiz Gonzaga, o rei do baião, e Odaléia Guedes dos Santos, cantora do Dancing Brasil. A mãe morreu de tuberculose ainda muito moça, com apenas 22 anos de idade, deixando Gonzaguinha órfão aos dois anos, e o pai, não podendo cuidar do menino porque viajava por todo Brasil, entregou-o aos padrinhos Dina e Xavier.
       As primeiras letras Gonzaguinha aprendeu numa escola local, mas as verdadeiras lições de vida recebeu pelas ladeiras do morro. Quando garoto, para conseguir algum dinheiro, carregava sacolas na feira e avisava os bicheiros do local, quando da chegada da polícia.
       Moleque Luizinho – seu apelido de infância, vivia nas ruas. Pipas, peladas, bolinha de gude, pião e os acidentes da infância. Como as três vezes em que furou o olho esquerdo, fazendo com que perdesse 80% da visão desse olho. No carnaval fugia com Pafúncio, um vendedor de caranguejos que morava nas redondezas e era membro da ala de compositores da Escola de Samba Unidos de São Carlos, a partir daí, o samba estaria definitivamente em sua vida. Nas ruas do Estácio, Gonzaguinha cresceu, entre a malandragem dos moleques de rua e o carinho da madrinha. Do pai, recebeu o nome de certidão, dinheiro para pagar os estudos e algumas visitas esporádicas. Imerso no dia-a-dia atribulado da população, Gonzaguinha ia aprendendo a dureza de uma vida marginal, a injustiça diária vivida por uma parcela da sociedade que não tinha acesso a nada.
       O aprendizado musical se fez em casa mesmo, ouvindo o padrinho tocar violão e tentando fazer o mesmo. Gonzaguinha ouvia Lupicínio Rodrigues, Jamelão e as músicas de seu pai. Gostava de bolero e era assíduo freqüentador de programas sertanejos. Ouvia também muita música portuguesa, pois D. Dina sua madrinha e mãe adotiva, era filha de portugueses e manteve-se ligada às tradições familiares.
       Aos catorze anos, Gonzaguinha escrevia sua primeira composição: "Lembrança De Primavera". Pouco mais tarde, compôs "Festa" e "From United States Of Piauí", que seu pai gravaria em 1968 e 1972, respectivamente.
       Em 1961, Gonzaguinha, que estava completando 16 anos, foi morar com o pai em Cocotá. Xavier e Dina não podiam dar estudos para o garoto, que queria estudar economia. Neste ano Gonzaguinha estudou muito, desde então jamais repetiu um ano. Trancado no quarto, estudava economia e tocava violão. Quando saía, ia para a praia jogar futebol, sua outra paixão. Como já fizera no morro de São Carlos, esquecia dos horários e nunca vinha almoçar.
       Em dezembro de 61, ocorreu o primeiro acidente automobilístico de sua vida, em viagem com o pai e uma amigo, a caixa de mudança do carro enguiçou, isso ocorreu no Rio, em direção a Miguel Pereira, Gonzagão ficou um mês hospitalizado, e Gonzaguinha só sofreu um grande susto.
       Os desentendimentos com Helena, esposa de Gonzagão, fizeram com que o menino acabasse sendo interno em um colégio. Não só concluiu o Curso Clássico, como ingressou na Faculdade de Ciências Econômicas Cândido Mendes (Rio de Janeiro). A vivência da pobreza no Estácio, os problemas familiares e o espírito crítico que possuía, os estudos na Universidade e o clima pesado da ditadura militar, formaram o ambiente onde se desenvolveu um dos mais criativos e inteligentes compositores da MPB contemporânea. O começo da amizade com Ivan Lins e alguns outros teve inicio na rua Jaceguai, na Tijuca onde morava o psiquiatra Aluízio Porto Carrero, um homem que gostava de levar pessoas a sua casa para longas conversas, jogos de cartas ou uma roda de violão. Foi nesta casa que Gonzaguinha conheceu Ângela, sua primeira esposa, mãe dos seus dois filhos mais velhos, Daniel e Fernanda.
       Das rodas de violão na casa de Aluizio nasceu o MAU (Movimento Artístico Universitário) e dele faziam partes nomes como Ivan Lins, Aldir Blanc, Paulo Emílio, César Costa Filho. Gonzaguinha começava a participar de festivais de música, sendo finalista em um deles (em 1968) com a composição “Pobreza por pobreza”. O MAU acabaria na TV Globo, que em 1971 lançava o programa "Som Livre Exportação". Nos primeiros dois meses as coisas caminharam bem e o grupo fez grande sucesso. Passando esse período, na hora da renovação do contrato, a Globo só queria Ivan Lins, Gonzaguinha e César Costa Filho. No início eles procuraram manter-se unidos, "na base do ou assina todo mundo ou ninguém assina". Passados os primeiros dias, as grandes somas envolvidas, as diferenças pessoais e outros fatores cindiram o grupo. O programa continuou por mais algumas semanas, comandado por Ivan Lins. Foi nessa época que se difundiu a imagem de Gonzaguinha como um artista agressivo, chegando a ser chamado de "cantor rancor". Para o compositor, sua pretensa agressividade foi apenas uma criação do sistema.
       Em 1973, Gonzaguinha participou do programa de Flávio Cavalcanti apresentando a música “Comportamento Geral”, num dos concursos promovidos pelo programa. Essa participação resultou em muita polêmica, uma advertência da censura mas, em compensação, o compacto gravado pelo compositor, que estava encalhado nas prateleiras das lojas, esgotou-se em poucos dias e logo Gonzaguinha pulava do quase anonimato para as paradas de sucesso na Rádio Tamoio e era convidado para gravar um novo disco.
       Como era de se prever naqueles anos de chumbo, a música logo foi proibida em todo o território nacional e Gonzaguinha "convidado" a prestar esclarecimentos no DOPS. Seria a primeira entre muitas visitas do compositor ao orgão público. “Luiz Gonzaga Jr.” (1974) e “Plano De Vôo” (1975) eram a demonstração das preocupações sociais e políticas de Gonzaguinha com os rumos que a nação tomava, e apesar da perseguição da censura, nunca deixou de divulgar seu trabalho e exprimir suas opiniões.
       Em 1975, Gonzaguinha dispensou os empresários e essa atitude foi fundamental para sua carreira, segundo Gonzaguinha a vantagem de trabalhar independente dos empresários está nos contatos que o artista mantém com várias pessoas, o que concorre para recuperar se a base humana do trabalho. O ano de 1975 foi particularmente importante na vida do compositor: tendo contraído tuberculose, Gonzaguinha viu-se obrigado a passar oito meses em casa e aproveitou o tempo para meditar e refletir sobre si mesmo. E também marcou o início das suas excursões pelo Brasil, em que rodou todo o país de violão. Com isso, conseguiu solidificar as bases nacionais de sua arte e descobriu a importância de seu pai, na música popular brasileira. Em 1976, Gonzaguinha gravou o LP “Começaria Tudo Outra Vez”. O disco, de acordo com o próprio autor, representou a volta ao início da carreira, retomando a espontaneidade perdida.
       Era óbvio, que o crescimento do movimento que levaria à abertura do regime político, no Brasil, iniciada em 1978, teria reflexos na obra do compositor, tornando mais visíveis, seus aspectos românticos e pessoais, sem deixar de lado a visão crítica da sociedade. Foram então criados uma série de sucessos, como “Grio De Alerta”, “Sangrando”, “Ponto De Interrogação”, “Espere Por Mim Morena”, “O Que É, O Que É”, “Não Dá Mais Pra Segurar”, entre outros, inclusos em seus álbuns seguintes, “Gonzaguinha Da Vida” (1979), “Coisa Mais Maior De Grande” (1981), “Alô, Alô Brasil” (1983), e gravados por outros grandes artistas da MPB como Maria Bethânia, Elis Regina, Cauby Peixoto, As Frenéticas, Simone, Fagner e MPB4 entre outros. É dessa época o segundo relacionamento amoroso de Gonzaguinha com Sandra Pera (Frenéticas), com quem teve sua 3ª filha: Amora. Em toda essa trajetória, Gonzaguinha demonstrou, ao lado de qualidades artísticas indiscutíveis, uma grande coerência de idéias sobre a arte, a vida e a dimensão política do homem.
       No fim da década de 80, veio à tona uma atividade pouco divulgada de Gonzaguinha, mas não menos importante. Ele recebeu uma concessão para montar uma rádio, em Exu/PE. E colocou em prática todas as idéias que tinha, sobre utilizar a mídia como fonte de socialização do conhecimento e consciência. E com uma programação musical voltada para o que é realmente popular, dava a voz a quem sempre teve que engolir fórmulas prontas e imposições culturais.
       Seus últimos 12 anos de vida, Gonzaguinha viveu ao lado de Louise Margarete Martins - a Lelete. Desta relação nasceu Mariana, sua filha mais nova. Até hoje elas vivem em Belo Horizonte, cidade onde Gonzaguinha morou durante dez anos. A vida em Minas, onde fixou residência, mais calma, com longos passeios de bicicleta em torno da Pampulha, marcou o período mais introspectivo de sua carreira. O músico dedicava-se a pesquisar novos sons dividindo-se entre longos períodos em casa e demoradas turnês de shows pelo país.
       A mais importante dessas turnês talvez tenha sido "Vida De Viajante", ao lado do pai Luiz Gonzaga, em 1981. Não apenas um show, "Vida De Viajante" selou o reencontro de pai e filho, a intersecção de dois estilos, o Brasil sertanejo do baião encontrando o Brasil urbano das canções com compromisso social e uma só paixão - o palco.
       O acidente que matou o cantor e compositor Luiz Gonzaga Júnior, aconteceu no dia 29 de abril de 1991, por volta das 7:30 da manhã, na BR 280, a 390 km de Curitiba, entre as cidades de Francisco Beltrão e Pato Branco no sudoeste do Paraná, seu carro, bateu de frente numa caminhonete que tentava cruzar a pista. Gonzaguinha morreu na hora. Gonzaguinha havia feito seu último show na cidade de Pato Branco (50 km do local do acidente) pela manhã, ele dirigia o carro em destino a Foz do Iguaçu, onde tomaria o avião de volta para o Rio de Janeiro. Em 1997, finalmente a EMI prestou uma homenagem ao artista lançando uma caixa com os 13 trabalhos iniciais de Gonzaguinha. Os CD’s vem acondicionados em uma bela caixa de madeira, as capas dos álbuns estão preservadas e apresenta 6 faixas bônus. Esta caixa cobre o período mais criativo de Gonzaguinha - de 1973 a 1985.
No final de 2001 foi lançado um CD com faixas inéditas do início de carreira de Gonzaguinha.

domingo, 15 de maio de 2011

Música e futebol,na terra do gonzagão.

Música e futebol,na terra do gonzagão.

No embalo do Bonde do Mengão Sem Freio e do Trem-Bala da Colina, Flamengo e Vasco foram homenageados por funkeiros. Não raro os jogadores comemoram gols com um sambadinha. Mas, quando o assunto é o Campeonato Pernambucano, a trilha sonora é arretada. Quer dizer, tem como fundo musical o forró (assista ao vídeo da matéria que foi ao ar no Globo Esporte).

No Sertão de Pernambuco, onde nasceu Luiz Gonzaga, o dinheiro e a estrutura das bandas de forró têm mudado a vida e o dia a dia de três clubes: Salgueiro, Petrolina e Araripina. Atualmente, uma banda de forró de sucesso no Nordeste faz cerca de 20 shows por mês. Cada um ao custo de até R$ 60 mil. Não precisa nem de fazer a conta para saber que a grana é alta para time de futebol nenhum botar defeito.

Além de patrocinador, a banda Limão com Mel é a dona do hotel onde os jogadores ficam e da rádio que transmite os jogos do Salgueiro. Por isso, também tem o nome estampado na camisa do clube, que no ano passado subiu para a Série B do Brasileirão. Sem falar que os jogadores dessa equipe ainda utilizam o ônibus do grupo musical.

Por outro lado, quem não gosta dessa parceria são os fãs da banda Limão com Mel. O motivo? Não raro eles confundem os atletas com os músicos, como conta o presidente do Salgueiro.

- Uma vez a gente estava em Garanhões (interior do Pernambuco) e juntou muita gente na frente do hotel. Aí a gente foi falar que era o time de futebol, não era a banda. As meninas ficaram decepcionadas porque queriam ver o Batista Lima - disse José Guilherme.
Mirandinha apoia dobradinha futebol e música

Lembra do Mirandinha: ídolo corintiano na década de 1990? Hoje ele é técnico do Araripina, time patrocinado pelo grupo Moleca sem Vergonha. Agora, o ex-jogador dança ao ritmo do forró.

- Somos nordestinos, né? Música e futebol estão juntos. Tão agarradinhos. Nada melhor do que você jogar, trabalhar e se divertir. Isso é importante no futebol. Nós somos nordestinos, temos o forró na veia. Tem que ser - afirmou o ex-atacante.

Que futebol e música têm tudo a ver, disso a gente já sabe. Agora, será que essa mistura dá certo na prática. A banda Desejo de Menina, patrocinadora do Petrolina, sétimo colocado no Estadual, não tem dúvida. Hoje, mais do que nunca, a música e a bola estão em sintonia no Sertão de Pernambuco.

sábado, 14 de maio de 2011

A ÚLTIMA VIAGEM DO REI DO BAIÃO A EXÚ. PERNAMBUCO SUA TERRA NATAL.


Fotos expostas no Museu; Luiz Lua Gonzaga

 No início de maio de 1989, já bastante doente, Gonzaga decide ir a Exú. Queria apresentar aos amigos a nova mulher, Edelzuíta, que tentou, inultilmente, demovê-lo da idéia. Não fazia um mês que havia se submetido a uma cirurgia para a colocação de platina, cujo objetivo era sustentar o fêmur esquerdo. Segundo Zuíta, o médico recomendara que, durante três meses, ele só poderia andar no plano, e sem fazer esforço, já que o osso estava “como uma teia”, em consequência da osteosporose.
Teimoso como era, Gonzagão marcou a viagem e os dois foram de avião até Juazeiro do Norte, e de lá seguiram para Exú de carro. Na hora do desembarque, “não quis a cadeira de rodas, de jeito nenhum, e desceu as escadas do avião andando, quando soube que ali estava um grupo de estudantes a sua espera”, lamenta Zuíta. Com o esforço, a platina se desprendeu e ficou ferindo a carne, o que passou a provocar dores insuportáveis no artista, combatidas somente com a morfina.
Durante os três dias, em Exú, além do sofrimento físico, Luiz sofreu a grande decepção ao descobrir que sua ex-mulher, Helena, havia levado todo o seu acervo para o Rio de Janeiro. Seu sonho era montar o museu, cujo prédio fora construído por ele. “Mesmo assim, a casa ficou cheia e ele me apresentava aos amigos, com o maior orgulho”, revela Edelzuíta. Mas o sofrimento de Lula, sobretudo pelas dores nas pernas, só deixou lembranças tristes em Zuíta, naqueles dias em Exú.

Já São 20 anos sem Gonzaguinha, o filho do rei do baião.






Por trás da expressão carrancuda, do semblante de poucos amigos e da barba que escondia-lhe a chance de um sorriso mais largo, havia um coração pronto a explodir do menino que desceu o São Carlos para colocar o dedo na ferida dos problemas sociais e afetivos de mulheres e homens. Filho do Rei do Baião, da dançarina Odaléia e da música brasileira que acolheu com tamanha propriedade, a cara de Gonzaguinha era a de um Brasil que não se entrega e não deixa de apontar as mazelas que atingem as suas pessoas. Com a camisa aberta e o peito à mostra ele escreveu através de suas músicas um retrato sensível, por vezes raivoso, outras vezes irônico, de sentimentos universais e em decadência. Era um grito de alerta, e ao mesmo tempo, de esperança. 



Filho de vários pais e de várias mães, Gonzaguinha teve história parecida com a de muitos brasileiros. Nasceu no ventre da cantora e dançarina da noite Odaléia e foi registrado pelo expoente maior da música nordestina levando seu nome. Com a morte da mãe quando ele tinha dois anos, vítima de uma tuberculose, Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior foi entregue aos carinhos de dona Dina e seu Xavier, para que o pai pudesse cumprir sua vida de viajante. Luizinho, como passou a ser chamado no morro de São Carlos, no Rio de Janeiro, logo aprendeu a tocar violão com seu padrinho, a sacar as malícias das ruas, e a ter vontade de conhecer outras bandas. Essa epopéia comum a tantos brasileiros, Gonzaguinha cantou “Com a perna no mundo”, de 1979, em que deixava um caloroso recado à madrinha querida: “Diz lá pra Dina que eu volto, que seu guri não fugiu, só quis saber como é, qual é, perna no mundo, sumiu...”

Espere por mim, morena 

Moleque arisco e interessado em conhecer o mundo, Gonzaguinha decidiu aos 16 anos que queria cursar economia. Como os padrinhos Dina e Xavier, conhecido como Baiano do Violão, não tinham condições de pagar seus estudos, o menino resolveu por conta própria que iria morar com o pai. Depois de um começo de relação atribulada, com Gonzaguinha desentendendo-se constantemente com a madrasta e Luiz Gonzaga por conta de posições ideológicas, os ânimos se acalmaram, e a convivência entre os dois foi aos poucos melhorando. Gonzaguinha foi matriculado em um colégio interno e conseguiu concluir o curso que tanto queria. Mas a herança que pulsava em suas veias era a da música. Em 1967, seu pai gravou pela primeira vez uma composição sua: “From United States of Piauí”, canção bem humorada e crítica acerca dos americanismos na língua portuguesa. Mas somente em 1976, ele assumiria de vez as influências e a importância do pai em sua trajetória. No disco intitulado “Começaria Tudo Outra Vez”, gravou “Asa Branca”, um dos maiores sucessos de Luiz Gonzaga, e a toada “Espere por mim, morena”, grande êxito popular que trazia à tona o lado romântico e saudoso de um Gonzaguinha doce e leve, que falava de rede, cobertor e sol.



Grito de Alerta 

No ambiente universitário, Gonzaguinha passou a ter contato com Ivan Lins, Aldir Blanc, César Costa Filho e outros, com quem formou o Movimento Artístico Universitário, conhecido como MAU. O grupo se reunia com freqüência na casa do psiquiatra Aluízio Porto Carreiro para longas conversas e rodas de violão. Passaram então a participar de festivais, e no ano em que foi vencedor com a canção “O Trem (Você se lembra daquela nêga maluca que desfilou nua pelas ruas de Madureira?)”, Gonzaguinha recebeu uma das maiores vaias de sua carreira. Apenas em 1973, ele conheceu o sucesso. Ao entoar “Comportamento Geral” no programa de Flávio Cavalcanti, Gonzaguinha chocou os jurados, esgotou o disco nas prateleiras e foi censurado pela ditadura. Além do espírito combativo, as reuniões na casa de Aluízio, renderam-lhe seu primeiro casamento, com Ângela Porto, mãe de seus dois primeiros filhos. O discurso do embate político cedia espaço em 1980 para um envolvente Gonzaguinha, que acostumado a ouvir na infância Jamelão, Lupicínio Rodrigues e músicas portuguesas, entregava para Maria Bethânia consagrar um samba-canção de sua autoria, em que discutia as difíceis questões do coração. Deixando de lado a razão, “Grito de Alerta” era uma tentativa sincera de se desapegar de questões menores e amar de portas abertas.



Guerreiro Menino


Gonzaguinha sempre foi considerado um artista de temperamento difícil, não gostava de dar autógrafos e raramente compunha com outros parceiros. Tido por muitos como mal humorado e arrogante, era na verdade um sujeito provocador, despojado, como ele próprio definia: “um grande gozador”, um moleque levado e teimoso que gostava de descumprir ordens. No entanto, o comportamento arredio e a desconfiança que lhe marcavam eram atribuídas por muitos aos conflitos que teve com Luiz Gonzaga. As diferenças entre os dois acabariam se tornando lá na frente o elo perfeito para formar uma parceria entre o sambista do morro carioca e o nordestino que inventou o baião, o destino de ambos cruzando o país, Gonzagão e Gonzaguinha. Já bem à vontade para tratar de temas mais sentimentais, Gonzaguinha teve gravada na voz de outro nordestino uma de suas músicas que continham maior ternura. Em 1983, seu compadre Fagner recebeu de Mariozinho Rocha o aviso de que Gonzaguinha havia lhe mandado uma música. O detalhe é que o empresário considerava que ela tinha sido feita “nas coxas” e não valia a pena gravá-la. Fagner insistiu, chorou de emoção ao ouvi-la e a transformou no carro-chefe do seu LP daquele ano. “Um homem também chora” delineava com maciez sensações singelas e muito humanas, habituadas a se esconderem atrás de hipocrisias. Gonzaguinha falava sem deixar passar nenhuma farpa da criança que constrói e existe em cada homem, da faceta mais frágil e carinhosa dos guerreiros meninos. E ele era um deles.



Sangrando, Explode Coração E Vamos à luta 

No início da década de 80, Gonzaguinha passou a morar em Belo Horizonte com sua segunda esposa, Lelete. Desse casamento nasceu a sua caçulinha, Mariana, irmã de Daniel, Fernanda e Amora, filha do relacionamento do cantor com a Frenética Sandra Pêra. Nessa época, ele vivia sua melhor fase e já desfrutava dos sucessos de “Ponto de Interrogação”, “Grito de Alerta” e “Sangrando”. A balada imortalizada por Simone revelava um desenho auto-biográfico e pungente do compositor que não se dizia cantor, mas intérprete de suas emoções. Na letra de “Sangrando”, o intérprete se rendia por inteiro. Começava soltando a voz com um delicado pedido, para depois consentir que a música se apoderasse dele e exprimisse a vida em sua plenitude.

Contestador por natureza, em 1975 Gonzaguinha havia dispensado seus empresários para fundar depois seu próprio selo, Moleque, que também seria o nome do seu álbum de 1977. Nesse ano, “Explode Coração” tornou-se um dos maiores marcos de toda a carreira de Maria Bethânia. Intitulada inicialmente “Não dá mais pra segurar”, a música é um desabafo lento, progressivo, um exercício de confissão e entrega em que o compositor se despe de seus medos e aceita todos os desejos. Em “Explode Coração”, Gonzaguinha se descortina para que a vida entre sem pedir licença.



Durante a sua trajetória, Gonzaguinha conviveu com a pobreza na favela, problemas de saúde como as duas tuberculoses que teve, e a falta de liberdade imposta pela ditadura. Apesar disso, deu um jeito de driblar as armadilhas para conquistar o que achava que tinha direito. “E vamos à luta” é talvez o samba mais animado, emblemático e contagiante de sua obra. A música é um recado otimista de persistência e coragem direcionado aos brasileiros que batalham seu lugar ao sol diariamente, com espaço para uma fezinha especial na juventude. Através dos versos esfuziantes da canção, Gonzaguinha cultiva as delícias da união e do sonho. Gravada por ele em 1980, a música foi apresentada depois em duetos descontraídos com Alcione e Roberto Ribeiro.

Começaria tudo outra vez 

Ao som de bolero, samba, baião ou toada. Assim Gonzaguinha escreveu seu nome na canção brasileira. Um nome que já tinha peso antes mesmo dele nascer, e que foi aos poucos penetrando nos ouvidos das pessoas com aquele diminutivo. O menino esguio que falava de dramas, amores e problemas sociais, cresceu e continuou menino. Continuou falando, cantando, observando aquilo que lhe tocava com o cuidado de quem enxerga uma fruta madura no pé da árvore. Gonzaguinha no palco era solto, espontâneo, como se estivesse em casa, mas quando escrevia era incisivo, agudo, enfático, dando a medida que lhe cabia da força dos relacionamentos humanos em sua vida. Não imaginava ele que em 1976, só estava no começo, mas ainda assim decidia: “Começaria tudo outra vez, se preciso fosse, meu amor...”

"Só quero ver as pessoas assoviando as minhas músicas" Gonzaguinha 







Vem aí cinebiografia de Luiz Gonzaga Por:Francisco Russo




Mais um importante nome da música brasileira em breve terá sua história contada no cinema. Trata-se de Luiz Gonzaga, o rei do baião, cuja cinebiografia será dirigida por Breno Silveira (2 Filhos de Francisco e Era uma vez...). Provisoriamente intitulado Gonzaga de Pai para Filho, a ideia é que o filme apresente Luiz Gonzaga sob os olhos de seu filho, o também cantor Gonzaguinha. Para tanto serão usadas duas fontes: uma fita cassete de Gonzaguinha falando sobre o pai e o livro "Gonzaguinha e Gonzagão: Uma História Brasileira", de Regina Echeverria.

O roteiro atual conta com 300 páginas, mas ainda sofrerá uma enxugada. A intenção é utilizar atores desconhecidos nos papéis principais, de forma que o público não traga informações prévias ao assistir suas interpretações. Entre as locações estão a favela carioca de São Carlos, onde Gonzaguinha foi criado, Minas Gerais e, é claro, o Nordeste. Para distribuir o filme, a produtora Conspiração Filmes já fechou acordo com a Columbia Pictures do Brasil e a Downtown Filmes. Cerca de 60% do orçamento, de valor não divulgado, já foi captado. A intenção é que o filme chegue aos cinemas em 2012, ano em que Luiz Gonzaga completaria 100 anos caso ainda estivesse vivo.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Luiz Gonzaga a caminho do Guiness Book, o livro dos Recordes

 
José Nobre e Nilson Araújo, no Museu Fonográfico Luiz Gonzaga
 
Há alguns anos venho pesquisando sobre músicas que citem ou homenageiem o Rei do baião, Seu Lua, Luiz Gonzaga. Em parceria com o José Nobre, dono do museu Luiz Gonzaga, de Campina Grande, PB, comecei a busca e qual não foi a minha surpresa com a quantidade de homenagens feitas a esse monstro sagrado da MPB. Hoje, com um 27 cds por mim editados,totalizando 540 músicas entre Citações, Agradecimentos e Homenagens, chegando ao número de 600 até o meio deste ano de 2010, estou reiniciando a batalha para levar o nome de Luiz Gonzaga para o Guiness Book, O Livro dos recordes, como O CANTOR MAIS HOMENAGEADO DO MUNDO, categoria aínda inexistente no referido Livro, mas que pode ( e vai) ser analisada conforme resposta já recebida.
 
 
São homenagens diversas.

Rock? tem
Reggae? tem
Samba? Tem
Brega? Tem
No Forró? nem se fala! Enfim são homenagens em quase todos os ritmos e de quase todas as regiões do Brasil. Junto com o amigo Zé Nobre, a meta é até o ano de 2012, quando faria 100 anos, solidificar o nome de Luiz Gonzaga com a sua inclusão numa publicação editada mundialmente.
Viva Luiz Gonzaga
A caminho do livro dos Recordes como
O cantor mais homenageado do mundo!