domingo, 3 de fevereiro de 2013

O Rei do Baião e os Beatles, eternamente lembrados no Mundo da musica



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Os Beatles pesquisavam músicas 
dos quatro cantos do mundo
uiz Gonzaga, o eterno Rei do Baião, e os Beatles têm muito em comum. Ícones incondicionais, eles deram ao mundo uma revolução cultural por meio da música. A sanfona de Gonzaga, ainda na década de 40, divulgou a cultura nordestina para todo o país (e para o mundo), mais do que isso: inovando no jeito de compor e tocar baião, ele o modernizou, elevando-o à condição de arte e colocando-o, como peça fundamental (e enriquecedora), na grande engrenagem que compõe a MPB. Os Beatles, da mesma forma, tiraram das seis cordas da guitarra um som que virou o mundo da música de cabeça para baixo.
            Essa aproximação de Gonzaga com os quatro rapazes de Liverpool não para por aí. No finalzinho da década de 60, saiu a notícia de que os Beatles estariam interessados em gravar a música Asa Branca, obra maior de Luiz Gonzaga e Humbeto Teixeira. Algumas pessoas duvidaram da informação, mas – dentro dum raciocínio lógico – tudo indicaria que aquela notícia fazia sentido.
Os Beatles sempre absorveram os mais diversos tipos de estilos musicais para agregá-los ao rock de que tanto gostavam. Da música clássica à indiana, do bolero ao blues ou do jazz ao canto gregoriano, tudo, por fim, servia de inspiração para eles. A pergunta óbvia vem à mente: por que os Beatles não se deixariam levar pela sanfona de Gonzaga? Nada os impediria. O próprio Paul McCartney disse certa vez que a lindíssima “Fool On The Hill” foi feita sob a influência da bossa nova de João Gilberto. Influência caracterizada mais pela inovação da batida do violão do que pelo ritmo brasileiro em si.
A influência de Luiz Gonzaga 
ultrapassa os limites da música
Sobre o entusiasmo dos Beatles pelo hino nordestino, Gonzaga disse à revista Veja em setembro de 1968: “Os meninos ingleses têm muito sentimento e não avacalham a música. A toada deles parece bastante com as coisas do Nordeste. Até as gaitas de fole lembram a nossa sanfona”. O genial Gonzaga reconhecia o talento e a qualidade artística dos quatro ingleses – e vice-versa...
Poucos anos depois, os Beatles se separaram definitivamente e, como se sabe, eles nunca chegaram a gravar Asa Branca. Só por volta de 1982, circulou um boato sobre essa história: tudo não teria passado de uma “brincadeira” do produtor e cineasta Carlos Imperial com a finalidade de alavancar a carreira do Rei do Baião, quase no ostracismo musical, prestes a se aposentar.
Eu prefiro acreditar que os Beatles realmente quiseram dar uma versão rock’n’roll ao clássico de Gonzaga. O que seria da música sem os mitos?

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